Impostos de Importação para Pessoa Física e Reflexões Diversas

Acredito que este seja um dos posts mais longos do blog. É para pegar um cafézinho e vir comigo – prometo que vai valer a pena ir até o final! ;)

Resolvi fazer este post para esclarecer de vez a questão dos Impostos de Importação que incidem sobre as compras efetuadas por pessoas físicas. Já mostrei anteriormente no blog qual é e como é calculada a carga tributária para importações realizadas por empresas – leia mais aqui.

Pois bem: a tributação das importações realizadas por pessoa física é chamada de Regime de Tributação Simplificado, ou RTS. Neste regime, os bens são tributados por uma alíquota única, independente de sua natureza ou essencialidade. Esta tarifa é de 60% e contempla Imposto de Importação, IPI, PIS e Cofins. Vale lembrar que no cálculo do preço do produto sempre entram as despesas com frete e seguro. Não é uma novidade nem uma invenção brasileira: estes itens são considerados globalmente como parte do preço do produto. Assim, para cálculo do imposto, se considera o valor CIF (do inglês Cost, Insurance and Freight) mais 60%. Outro ponto digno de nota é que a alíquota do RTS não inclui o ICMS, que é variável a cada estado e em São Paulo tem como padrão 18%. Mas como o ICMS é definido pela natureza do produto, eu não sei se, caso se decidisse cobrá-lo no estado, a alíquota utilizada seria a da categoria cosméticos, que é de 25%. Em alguns estados há a cobrança do ICMS e ela é feita “por dentro”, como dizem os especialistas – o que significa que o ICMS incide sobre CIF+60%.

Por que o ICMS não é cobrado em São Paulo, por exemplo? Sinceramente eu não sei. Pode ser uma liberalidade para as compras internacionais, ou pode ser simplesmente uma falta de parceria do Estado com os serviços de Correio. Ou falta de comunicação entre as Receitas Federal e Estadual?

Isenções

São isentos de impostos:

- Medicamentos para uso pessoal com devida apresentação de receita médica

-Livros, periódicos e impressos em papel

- Remessas postais enviadas e destinadas por pessoa física, contemplando valor total (CIF) de até 50 dólares.

Então, ficar abaixo dos 50 dólares quando se compra de empresas não garante que você não vá ser tributado. A taxação é feita por amostragem e, embora muitos acreditem que abaixo dos 50 dólares não dá nada, a verdade é: se vai comprar no exterior, já leve em conta o imposto. Confira se vale a pena adquirir aquele item já incluindo a taxa dos 60% – e em geral, vale.

Também é preciso lembrar que a Receita Federal tem uma tabela onde compara valores praticados no mercado, que é justamente para tentar se haver com as declarações falsas em invoices e notas fiscais. Ou seja: a Receita pode decidir que um item foi subfaturado e cobrar de acordo com a sua tabela própria – neste caso, o consumidor pode entrar com pedido de revisão do imposto. Importante é lembrar, entretanto, que quem importar com valores falsos está sujeito ao perdimento da remessa.

Editado- como estão surgindo comentários e emails com a mesma dúvida, vou tentar ser mais clara: qualquer produto que vocês, consumidores pessoa física, importarem vai sofrer tributação de 60%, independente da natureza, com as exceções listadas acima. O imposto incide sobre o valor CIF (produto+frete+seguro). O valor máximo para os bens a serem importados é de 3mil dólares. E dependendo do estado, pode haver cobrança de ICMS. Então, para calcular o imposto a ser pago, é só multiplicar 60% pelo valor CIF,  ok??

Cobrança Adiantada, ICMS, Desembaraço Aduaneiro e o Protocolo 21

Algumas lojas eletrônicas ou serviços de entrega cobram antecipadamente os impostos de importação que deveriam ser recolhidos quando da entrada da remessa no país. É o que vem fazendo recentemente a Amazon, a Nordstrom e Fedex.

Li em algumas matérias que os valores exorbitantes praticados por algumas delas se referia à cobrança de ICMS ocasionada pelo Protocolo 21. O que é uma informação equivocada – e já que estamos falando de impostos, aproveito para esclarecer o erro e ainda mostrar o absurdo grotesco que é este Protocolo 21. Tal documento, com 18 estados signatários, mais o Distrito Federal, institui que as lojas eletrônicas situadas fora destes estados devem recolher o ICMS das compras efetuadas por cidadões residentes neles. O que significa que a loja eletrônica paga o ICMS no seu estado de origem e deve recolher o ICMS equivalente ao do estado onde reside o comprador. Ou seja: o consumidor – já que o ICMS é um imposto embutido no preço final, acaba por ser bitributado – prática que é ilegal. E se a loja quiser não obedecer a uma lei inconstitucional, ainda deve ter o trabalho e o gasto de entrar na Justiça.

Todavia, por mais inconstitucional que ele seja, não é o Protocolo 21 o culpado pelas taxas escorchantes praticadas por algumas empresas mencionadas acima. A conta é a seguinte: os 60% do RTS, mais o ICMS de cada estado (que, como sabemos, nem sempre é cobrado quando da chegada do produto no país, mas entra na conta do imposto recolhido adiantado), mais uma taxa de desembaraço aduaneiro, que em geral é ridiculamente alta . Esta taxa de desembaraço aduaneiro é referente ao serviço que a empresa realiza ao fazer o trâmite legal de entrada da remessa no país, mais recolhimento dos impostos.

Vejam como eu tive que pagar R$40 para receber um CD de 7 dólares. Este CD me foi enviado do exterior e é um CD de dados, contendo documentos confidenciais que não poderiam ser enviados por email. A remetente declarou um valor simbólico em euros, que foi convertido para dólar e que resultou nisso, vejam a figura:

Como vocês podem ver, o desembaraço aduaneiro foi quase 27 reais, muito mais que os impostos somados!

IOF

Além disso tudo, quando a gente compra em lojas virtuais estrangeiras, usamos nosso cartão de crédito. E para as operações de cartão de crédito efetuadas no exterior, incide o famigerado Imposto sobre Operações Financeiras, que no ano passado aumentou de 2,38% para 6,38%.

Esta medida serviu não apenas para tentar conter as compras brasileiras – porque o volume aumentou absurdamente, dado o câmbio favorável e ao aumento do nosso poder de compra. Em tese, seria válido tentar refrear as compras internacionais, porque elas podem impactar significativamente na economia brasileira, como vou falar abaixo. Mas quem acompanha minimamente o noticiário entendeu que o governo também precisava compensar a perda na arrecadação do Imposto de Renda e encontrou uma mina de dinheiro no IOF. Me pergunto se o aumento da alíquota teve alguma redução no volume de compras – e francamente duvido; provavelmente a Operação Maré Vermelha tem sido atualmente o que mais inibe o comprador brasileiro a se aventurar nas lojas online do exterior.

(Um adendo: eu não sou em nada contra a Maré Vermelha, ao contrário. Sou plenamente a favor que se feche o cerco contra os fraudadores. Minhas restrições se concentram no despreparo da Receita Federal ao lidar com a maior fiscalização e com os atrasos e ou perdas na entrega principalmente das compras efetudas por pessoa física – e que certamente não são compõe o grosso do caldo entornado pelos mencionados fraudadores.)

Reflexões

O que pretendo aqui, neste tópico, é inserir pontos de questionamento para equilibrar a discussão. Porque eu não acredito na indignação militante e vazia de fundamentos. É fácil a gente culpar a roubalheira dos políticos ou coisa que o valha; é fácil a gente bufar e reclamar – mas não adianta nada. Sem uma boa visão do panorama, sem algum conhecimento dos detalhes, sem informações a gente nada mais é que o gado estourado e descompensado, cuja ira se dissipa à mera oferta de uma graminha verde para ruminar em paz.

Como adiantei acima, um consumo desvairado em lojas do exterior desequilibra a economia doméstica. O dinheiro começou a jorrar para fora do país em nível recorde – é o nosso dinheiro aquecendo a economia dos gringos e deixando de ser usado na compra de produtos nacionais. Eu sei que vocês vão argumentar – no que eu concordo – que muitos produtos importados são de melhor qualidade e menor preço que os nacionais. Mas eu também preciso lembrar a vocês que, como já falei outro dia, o custo Brasil é exorbitante, a carga tributária é elevadíssima, arcaica e burra e há praticamente nada de incentivos governamentais à produção e inovação nas indústrias nacionais.

Vou tentar resumir bastante uma discussão que me é muito cara, porque o post já está bem longo: a questão das políticas industriais. No passado, tivemos uns gurus neo-liberais que pregavam um Estado não-intervencionista e que amaldiçoaram quaisquer tentativas de elaboração de políticas industriais como se elas fossem fruto do capeta. Estes gurus neoliberais tinham como modelo máximo não-intervencionista o Estado norte-americano, àquela época pujante e poderoso. O problema é que o despreparo dos nossos jornalistas os faziam ecoar sem questionar estes gurus – e, pior, sem dar voz à corrente contrária deste tipo de pensamento, o que fez estas crenças se alastrarem e perdurarem por anos entre os formadores de opinião e os fazedores de políticas, sem que houvesse discussão e o dissenso necessário ao avanço das ideias. Porque, sejamos francos: os EUA um estado neoliberal e não-intervencionista?My ass! Ao contrário, têm há muitas décadas diversas ferramentas de incentivo à inovação e ao crescimento do seu parque industrial. E continuam a usá-las e incrementá-las sempre que possível. Vou dar um exemplo bem simples: o poder de compra do Estado. Se no Brasil a malfadada lei 8.666 impede a distinção de origem quando das compras governamentais, nos EUA o American Buy Act garante que estas compras sejam justamente feitas de acordo com a origem! Explico: imaginem que o governo vai comprar mochilas para distribuir para as escolas públicas. No Brasil, vai ser feita uma licitação, cujo principal fator determinante será o preço – e certamente seriam adquiridas milhares de mochilas chinesas. Com sua produção barata, seus problemas com direitos trabalhistas e, o óbvio, em detrimento da nossa indústria nacional. Nos EUA, a distinção de origem favorece a compra de produtos manufaturados em solo norte-americano. O que significa que o dinheiro vai para uma indústria nacional, que vai poder crescer, empregar mais, recolher mais impostos. Com a Lei do Bem, sei que há um artigo que revoga esta distinção de origem na Lei 8.666. Mas confesso que ainda não vi aplicação real dele. Sei que a Petrobrás, por exemplo, usa há anos deste artifício para aprimorar seus fornecedores: ela paga adiantado uma compra, de forma que o pequeno fornecedor pode se capacitar de acordo com as especificações fornecidas pela Petrobrás. E ele trabalha com a garantia que vai ter toda sua produção comprada. É bom para a empresa, é bom para a Petrobrás, é certamente bom para o país. Eu poderia citar vários outros exemplos de boas políticas industriais, mas daí fugiria demais do tópico e alongaria ainda mais o post – mas tenho certeza que deu para vocês entenderem a dimensão do problema.

Talvez vocês não acreditem, talvez me chamem de louca: mas o dólar baixo me dá calafrios. Não, eu não gosto, eu fico é apavorada. Porque, meninas, essa variação cambial maluca quebra nossos pequenos e médios exportadores. Quebra irremediavelmente a maioria e desestimula para sempre aqueles que conseguem se recuperar do rombo. Eu sei que é gostoso viajar e comprar coisa baratinha com o Real valorizado. Eu sei que muitas vezes o dólar alto acaba impactando na inflação, principalmente nos setores mais dolarizados da economia. Mas vamos pensar no nosso parque industrial, que é basicamente composto por pequenos e médios empresários. Uma empresa se prepara para vender seu produto a 2 reais no mercado internacional, o que corresponde, vamos dizer, a 1 dólar. Ela também vai se preparar para uma pequena variação, então se o dólar cai para 1,90, ela ainda mantém o lucro, em margem menor. Se, por exemplo, cair para 1,75 ela empata. E se cair para 1,60, ela perde toda a produção. Entendem como isso é importante? Não estamos falando apenas da competitividade do produto brasileiro no mercado global – que aumenta com o câmbio valorizado-, estamos falando de uma aposta exportadora que pode colocar em risco a sobrevida de inúmeras empresas nacionais. Então não, eu não gosto do Real valorizado – porque comprar baratinho demais não existe, como eu também já disse neste blog. Comprar baratinho demais significa que alguém – aliás, que nós todos pagamos a conta depois. Uma conta que certamente será cobrada com juros milionários.

Por outro lado, o Real desvalorizado impacta nas importações e impacta nas empresas que têm dívidas em dólar. Além de, como eu disse, aumentar a inflação por conta do seu efeito nos setores dolarizados. O que precisamos é de equilíbrio e estabilidade. Não dá para tolerar variações cambiais malucas, não dá para arcar com o custo de desequilíbrio cambial, que é ruim em todas as pontas.

Sei também que muita gente vai reclamar dos impostos de importação e vai reclamar das nossas indústrias, mesmo que eu já tenha apresentado os outros lados. Eu também tenho minhas queixas, mas eu acho que é necessário eu enfatizar, resumidamente, o grande desafio de ser empresário neste país:

- Carga tributária alta e cálculos insanos, mais resoluções ilegais (vide Protocolo 21), que levam a empresa aos tribunais para garantir seus direitos já garantidos por lei;

- Encargos trabalhistas altíssimos, que não revertem para o funcionário e, mais uma vez, envolvem cálculos insanos;

- Políticas industriais precárias, ineficazes, mal aplicadas ou inexistentes;

- Juros absurdos, que desestimulam o investimento e o aprimoramento da empresa e dos processos produtivos;

- Políticas de inovação inexistentes;

- Variações cambiais malucas

- Competição com empresas estrangeiras que têm melhores condições ou cuja manufatura envolve práticas para lá de duvidosas, como muitas chinesas. E vou dizer a vocês que em muitos casos os produtos importados, mesmo com todos os tributos, saem mais competitivos no mercado doméstico que os nacionais. Para que a indústria vai fabricar se ela pode importar e vender aqui, ganhando mais e tendo menos dor de cabeça? Verdade que os importados aumentam a arrecadação de impostos (porque a carga tributária é maior), mas vale a pena? No longo prazo, vale a pena para o país nós desistirmos de ter um parque industrial doméstico inovador e competitivo, para sermos apenas importadores e distribuidores de produtos?

Sei que o post é longo – é para compensar a ausência das semanas anteriores ;) -, sei que o assunto é complexo, mas já faz tempo que eu queria abordar estes temas aqui no blog. E gostei da idéia de começar falando de importação, dessa que a gente, pessoa física faz, e ampliar o tema para a questão nacional. Porque acho que nós precisamos sair do individual e pensar no coletivo. Porque a construção do país passa por este momento de coletividade, passa pelo aumento da conscientização, passa pela circulação da informação, pela troca de idéias, pelo debate, pela nossa participação efetiva na sociedade civil.

Nós não somos apenas gado; nem somos escravos da subsistência. Somos muito mais que trabalhadores que ganham o pão de cada dia, mais uns trocados para gastar em quinquilharias diversas. Nós somos cidadãos – e a construção da nossa patria é de nossa responsabilidade. O espaço público está aí para nós, cidadãos, atuarmos em prol do bem estar coletivo e do crescimento da nação.

Bom final de semana a todas.

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85 respostas para Impostos de Importação para Pessoa Física e Reflexões Diversas

  1. Diana disse:

    olá, eu torço para que os produtos brasileiros tenham uma qualidade tão boa quantos os importados, elém de terem um preço melhor. deixo de comprar aqui porque acho caro, ai acabo comprando em sites gringos, ultimamente tenho sido taxada em quase toda compra, ai acaba quase sendo a mesma coisa de comprar aqui.
    beijos.

    • Renata disse:

      Diana,
      Pois é, ultimamente a Receita anda tributando sem dó. Eu mesma já não arrisco mais, não tanto pelo imposto, mas pela demora até a compra chegar!
      Beijos

  2. waniele disse:

    Tô pensando…. de olhos arregalados!
    rsrsrsrs

    Não sabia de muita coisa aí q vc esclareceu. Obrigada!

    Beijooos

    • Renata disse:

      Waniele,
      Bom saber o que você gostou e encontrou informações úteis.
      Beijos

  3. Fatinha B. disse:

    Nossa, quanta informação importante, Renata!!!
    Adorei o post!!!!!! Parabéns !!!!
    O triste é vermos muitos produtos nacionais, sem taxa de importação,
    mas com preços exorbitantes!! E a qualidade apesar de boa, não valem o preço.
    E muitos produtos importados, também não valem o imposto que pagamos…
    Pobres de nós consumidores!!!!

    Bom final de semana pra você também!!!

    Bjs!!!!!!!!!!!!!

    • Renata disse:

      Fatinha,
      Mas os impostos nacionais são absurdos!!! O imposto de importação é de cerca de 12 a 18% e nem é cobrado em cascata. A empresa paga uma lista enorme de outros impostos, Pis, Cofins, IPI, IR, CSLL, ISS ( em alguns casos)… Impostos que não incidem sobre o produto importado, mas que a empresa tem que pagar. Isso sem contar a carga trabalhista, que é um horror! No final das contas, a carga tributária nacional é uma das maiores do mundo, o que torna nosso produto muito muito caro.

      Beijos

  4. dani77cano disse:

    Espero sinceramente que o governo invista mais na indústria nacional, principalmente nos pequenos e médios empresários. Eu trabalho numa empresa de pequeno porte, e sei como as taxas e impostos “comem” os comerciários pelas pernas e aí fica difícil contratar mais funcionários já que os encargos tb são altos.
    Sem um parque industrial forte, temos menos empregos formais, mais pessoas trabalhando na informalidade e mais pobre fica o país.
    Mas né, o governo PRECISA investir mais na produção interna, com leis e taxações mais justas.

    Amei seu post!

    • Renata disse:

      Dani,

      Pois é! Os impostos literalmente comem as pernas das nossas empresas. Fora o custo e o trabalho absurdo de se fazer a conciliação tributaria, porque hoje em dia precisa ter uma empresa de contabilidade para dar conta da loucura que é tudo isso.

      Beijos

  5. Marcella disse:

    meu sonho é que as pessoas deixem de der preguiçosas,parem de reclamar e chamem a responsabilidade para elas, não adianta xingar o político se vc não frequenta a própria reunião de condomínio..não adianta querer um mundo melhor para seus flhos se vc dá mal exemplo:joga lixo pela janela do carro, fura fila no shopping…Hoje uma vaca (falando em gado),bateu na minha traseira..sabe porque? pq ela estava falando no CELULAR e dirigindo…sem comentários Renata.

    • Renata disse:

      Marcella,
      Falta educação e falta conscientização. Falta informação, sabe? Nosso pais ainda é jovem, eu sei, mas do jeito que a prioridade anda deslocada para a aquisição de bens materiais em detrimento da cultura e da educação….

      Beijos

  6. Bruxinha disse:

    Regressou e já chegou metendo o pé na porta!! Boa, Re!!
    Olha, eu nem iria me importar com essa nossa carga tão abusiva se a receita dos tributos voltasse pra nós, povo, sob forma de benefício…mas não, né? há quem diga que a cada três reais, um é desviado, pow!! isso é que ferra nosso país e me deixa cada vez mais desesperançosa num futuro melhor.
    Bjs. É bom tê-la de volta!

    • Renata disse:

      Eu fico na dúvida se a gente não reclamaria não, sabe? A verdade é que ninguém gosta de ter um terço do seu salário destinado para o pagamento de impostos. Tenho uns amigos ingleses que me comentam que seus concidadãos também reclamam da mesma coisa… Mas dai eu lembro que eles não têm que pagar escola para os filhos, nem plano de saúde….

      Beijos

  7. Ana Krum disse:

    Bravo!!! Já repassei a informação para amigos e leitoras :) o melhor post do tipo, explicado e crítico, que já li. É por isso que adoro seu blog e por isso que senti tanta falta sua!

    Obrigada por nos fazer ver o outro lado da história. É sempre bom parar um pouco com a vitimização pessoal e pensar no porquê isso tudo acontece.

    Beijos!

    • Renata disse:

      Ana,
      É, a gente precisa tirar os olhos do umbigo e exercitar a visão de longo alcance. Não é simples, fácil ou agradável, mas necessário.

      Beijão

  8. camila disse:

    Parabéns pelo post Renata, está sensacional!!!
    Concordo com vc em tudo, acho q o que impede as empresas brasileiras de serem competitivas é essa falta de incentivo do governo, e acho também que é errado querer “compensar” isso com cargas tributárias absurdas!!
    bjsss e bom fim de semana!!

    • Renata disse:

      Camila,
      Um pouco de imposto de importação é necessário. Mas realmente de nada adianta afogar os empresários nacionais com tantos impostos e depois taxar tanto os importados.

      Beijos

  9. Ananda disse:

    As pessoas falam da tributação brasileira, como se ela fosse a mais alta do mundo, não é, a da italia é bem maior. O que encarece os produtos brasileiros, particularmente os cosméticos, é o olho grande dos empresários que querem lucros exorbitantes, basta lembrar o que acontecia (acontece?) na Daslu. Na Europa também há muitos impostos, a mao-de-obra é muito mais cara, e os preços são decentes. Há tambem o fato de que a classe média quer se diferenciar e prefere pagar mais caro e ter a certeza de que sua empregada nao pode frequentar a mesma loja, exemplo a piada do dia Sephora, tem produto com preços em dobro (ok), em triplo e até quatro vezes mais caros que suas lojas internacionais. Tributos? (my ass). E o que dizer da Nyx Brasil? batons de 3 dolares por 50 reais?

    • Renata disse:

      Ananda,
      Os impostos da Itália são um pouco mais altos para pessoa física, não para pessoa juridica. Os impostos de PJ no Brasil são os mais altos do mundo, não temos como negar. Verdade que na Suécia a carga tributaria é alta, mas os cidadãos ganham mais e não têm que pagar plano de saúde, escola, dentre outras coisas.

      Os impostos de importação chegam a aumentar em 150% o preço de um produto, se for da área de cosméticos, por exemplo. Então, acho que para a gente emitir uma opinião é preciso se fundamentar bem antes, porque o assunto é complexo e tem várias nuanças e detalhes importantes que não podem ser ignorados.

      Beijos

  10. ehsaguiar disse:

    Parabéns, Renata!
    Voltou em grande estilo.
    Obrigada pelas informações deste post, pois embora tivesse uma idéia de como funcionasse, você conseguiu passar muitos detalhes. Vou reler e reler este post para assimilar bem. E muito linda e bem escolhida a foto inicial.
    Beijocas
    Beth

  11. Se o problema fosse só imposto eu provavelmente estaria rico. Sério. rs Imposto “basta” ter dinheiro para resolver. O que eu acredito que afeta mais a nossa indústria cosmética é a burocracia. Para cosméticos, tenho um pouco conhecimento até sobre a legislação do Vietnã. E até hoje não conheci nenhum país tão burocrático e regulador em se tratando de cosméticos quanto o Brasil. Evidentemente, esta burocracia toda só afeta o empresário honesto, afinal, para o empresário desonesto tanto faz ter lei ou não.

    Quanto ao dólar, especificamente para a indústria cosmética nacional, um dólar baixo seria muito bem-vindo, porque a maioria das matérias primas, principalmente as mais “tecnológicas”, como filtros diversos filtros solares, são importadas. De qualquer modo, concordo que não poderia ser muito desvalorizado em relação ao Real de um modo geral. R$ 2 por 1 dólar acho que está bom, está dentro de uma zona de conforto que não acaba com a vida do importador nem da do exportador.

    • Renata disse:

      Pedro,
      O problema é que nem todo mundo tem o dinheiro para pagar os impostos, pelo menos não sem sacrificar investimentos importantes como em inovação. Agora a burocracia brasileira é realmente um horror: e “nosso” setor sofre mesmo com as regulações malucas.

      Pena que não sejamos exportadores de cosméticos: fora aqueles com apelo ” brasileiro” ou ” natural”. Eu gostaria que produzíssemos inovações tecnológicas, só para variar um pouco…

      Sobre o dólar: também acho que a 2 reais é uma boa medida.

      Beijos

  12. Virgínia disse:

    A reforma tributária é necessária e urgente! Assim como em todos os setores, educação, saúde, sistema penal, etc. Mas “forças ocultas” jamais deixarão isso acontecer. Isso é o Brasil, é assim a 500 anos e vai ser assim para sempre. O povo aqui é um gado cego indo em direção a um precipício e não há nada que impeça isso de acontecer.

    • Renata disse:

      Virgínia,
      Concordo que são necessárias várias reformas. Mas não concordo que o futuro esteja já condenado: senão, de que nos valeria a pena viver? Viver sem esperança é também viver como gado, como escravo da subsistência. É viver até chegar a hora de ir a sete palmos…

      Eu sou irremediavelmente otimista. Mais ainda: eu acredito de fato que as coisas já estejam mudando.

      Beijos

  13. Deise disse:

    Renata, fiz uma compra no exterior, e, somando todas as taxas, tive que pagar 100% sobre o valor da mercadoria para poder retirá-la. 100%!!! Enfim, não está compensando comprar fora, especialmente porque eu preciso toda vez de uma caixa de ansiolíticos até a mercadoria finalmente chegar nas minhas mãos (ou nem chegar, né) hehehe
    Bem, isso me fez lembrar da época de transição pro capitalismo, em que os países que mais enriqueceram, e se destacaram muito, investiram pesado, não só na proteção de seu mercado interno, como na forte industrialização e altíssima qualidade de seus produtos, à época. Claro que eu estou falando da Inglaterra, principalmente. E nem precisamos dizer no que deu…
    É lógico que eu me sentiria a pessoa mais feliz do mundo se eu pudesse sair de casa, ir ali na Contém 1G ou no Boticário, sei lá, e pagar por um produto nacional, que fosse ótimo e que não me deixasse pobre e revoltada.!
    Eu não entendo o porquê de novo governo tributar de forma tão sufocante nossos empresários, além de não incentivá-los. Eu não entendo muito, mas será que existe algo em nossa conjuntura atual que nos impeça de reduzir os impostos e as cargas trabalhistas? Ou será apenas, e simplesmente apenas… falta de vontade política? Bem, nossos impostos enriquecem um governo corrupto, né? Mas o povo é tão ignorante que não consegue imaginar que, se toda a população se enriquecer, vai ser muito mais dinheiro rolando pra todo lado. tipo assim…

    • Renata disse:

      Deise,
      Com a operação Maré Vermelha, eu não acho que anda valendo a pena comprar. Não apenas pela tributação, mas a demora e o extravio andam absurdos.

      Eu tenho certeza naquele falta vontade política. Mas também tenho certeza que as mudanças em um país não acontecem de uma hora para outra, porque elas têm a essência de construção, não de revolução. Ainda tem bastante gente que prefere o atual sistema, porque assim uns poucos continuam ganhando, mesmo que às custas do país e da população.

      Uma das coisas que sustenta meu otimismo quanto à mudança é que até os parasitas se adaptam. Quando o hospedeiro começa a ficar escasso, o processo parasitário vai deixando de ser letal. Se até vírus aprende, por que não os seres humanos?

      Beijos

  14. sony disse:

    Oi Renata, tudo bem?
    Só consegui ler o post agora, e realmente é um assunto complexo que eu ” na minha vidinha de gado” não tinha me dado ao trabalho de entender, e nem sei se entendi direito ainda…
    Tem uma coisa que tenho pensado bastante…nunca fiz compras internacionais, e a única que meu marido fez para mim, foi comprar a paleta da naked de presente do dias das mães e que até hoje não chegou!!!!! que sorte a minha…….
    Então…eu penso que para determinados produtos vale a pena vc comprar nas lojas internacionais, mas eu tb vejo muitas compras de maquiagem, acessórios, roupas…que vc paga o imposto, o dinheiro vai para outras divisas e não percebo grande diferença de qualidade ou até mesmo de preço…a turma compra muita quinquilharia tb…e acho que quinquilharia vc compra
    aqui mesmo!!!!
    Vivemos numa democracia, que se sustenta na eleição de nossos representantes, que tal a gente começar a prestar atenção nos próximos candidatos????ou vamos continuar elegendo os Tiriricas??????
    Bjs

    • Renata disse:

      Sony,
      Eu reparei que as pessoas compram mesmo muita quinquilharia, achando que é um negocião! Eu acho que temos produtos de qualidade, mas não temos um catalogo variado de produtos, sabe? Daí, toda aquela variedade do exterior acaba deixando a mulherada doida. E quando é barato, a sensação da barganha supera o discernimento e a percepção da qualidade, dai a compra da quinquilharia. É como se ainda fossemos infantilizados enquanto consumidores. Alias pensando bem, é isso mesmo: a variedade de oferta ainda é novidade par nós, consumidores brasileiros, que nos comportamos como crianças deslumbradas com a quantidade e a disponibilidade.

      Não desiste não, logo sua paleta chega!
      Beijos

  15. Ananda disse:

    o maior lugar-comum do mundo é dizer que a culpa dos preços de tudo é da carga tributária, qual a porcentagem de imposto em cima de um produto que custa 2 dolares? 150%. será que na conta ele dá 40 reais? pois é isso q acontece.
    qdo uma montadora de automoveis foi indagada sobre os preços exorbitantes, sem delongas disseram: os brasileiros compram nesse preço, pq iriamos baixar?
    e outra o q os empresários sonegam nao está no gibi, mas como todos sao corruptos fica elas por elas…

    • Renata disse:

      Ananda,
      Tenho tratado desses temas, sempre trazendo diversos viéses, há mais de ano. Tento mostrar que “empresário” não é xingamento. Que nem todo mundo sonega, que nem todo mundo enfia a faca, que nem todo mundo é assim ou assado.

      Mas quando o leitor tem a visão tacanha e se agarra a ela, não adianta mostrar viéses, que ele sempre vai se ater ao que lhe interessa para manter sua opinião.

      Tem gente que sonega, tem gente que enfia a faca. Tem gente que não. Só não entendo como você consegue viver em um país onde só tem ladroes e corruptos.

  16. Renata Tavares disse:

    Post excelente,muito esclarecedor,bjs.

    • Renata disse:

      Obrigada! Sei que não é dos temas mais fáceis e o post é enorme, mas o tema rende!

      Beijos

  17. Silvia disse:

    Post extremamente esclarecedor e detalhado, parabéns. Concordo que ser empresário realmente não é fácil, sinto na pele o sufocamento causado pela carga tributária do nosso país em uma empresa, mas para mim, independente de carga tributária, a “culpa” dos preços altos é do consumidor, a “culpa” da qualidade dos produtos nacionais algumas vezes ser inferior aos importados também, não dos empresários. Se o consumidor aceita pagar R$ 80.000,00 em um carro fabricado aqui, que nos EUA custa US$20.000,00 porque o empresário reduziria o preço? Se o consumidor aceita pagar R$140,00 em um creme Cetaphil que nos EUA custa US$10,00 porque o empresário reduziria o preço? Isso não é sacanagem, é aproveitar que o mercado não é maduro o suficiente para dar “valor” ao dinheiro, que cresceu de forma extremamente rápida e ainda sem a educação necessária para poder ganhar dinheiro. No lugar de qualquer um desses empresários todos fariam o mesmo, isso é uma oportunidade. Eu acredito que com o tempo o mercado consumidor brasileiro vai amadurecer, exigir preço e qualidade, senão não comprará, mas isso leva tempo, muito tempo.

    • Renata disse:

      Silvia,
      Eu não gosto de transferir a culpa para o consumidor, porque nem sempre ele tem alternativa. Como a pessoa não vai comprar um carro? Ela não pode trazer de fora… Ou para aqueles cujo médico prescreve um Cetaphil – a pessoa vai fazer o que?

      Lógico que tem o fato do consumidor ser novo, ser imaturo. E tem o deslumbramento, o aumento do poder aquisitivo, da oferta – sim, o consumidor tem sua parcela de responsabilidade, mas eu o considero o elo mais fraco da cadeia. E, sendo assim, não dá para ser responsabilizado por uma situação, quando os outros players são muito, mas muito mais fortes.

      beijos

  18. Clara disse:

    Renata, eu radicalizei e tenho feito uma força medonha para usar só produtos nacionais. Essa coisa de pensar na coletividade pra mim não é só cidadania: é humanidade, também, tem a ver com valores que guiam minha vida em todos os sentidos. A gente têm que botar fé no ideal que criamos para o nosso país, porque não importa o quanto babemos em cima dos produtos, políticas e culturas de outros países, nascemos aqui, temos que nos resolver com as coisas daqui e se quisermos um dia ter nossa “Mac brasileira” ou mesmo políticas nacionalistas que beneficiem nosso povo como fazem os outros países, vamos ter que começar a mexer os pauzinhos. Mas tem que fazer força!

    Compro e muitas vezes passo raiva, como com aqueles quartetos de sombras da Natura. Uso os SACS de praticamente todas as empresas de que compro produtos, reclamo do cheiro, da pigmentação, da fixação, digo o que espero de uma base, de um lápis, de tudo… E incentivo amigas e parentes a fazer o mesmo.

    Será que um dia a gente consegue??

    Vamos torcendo e dando empurrõezinhos… Tá nas nossas mãos!

    Beijos Renata e parabéns pelo post excelente! Adoro tudo da Área Útil, por mim vc fazia desta parte o carro-chefe do blog!

    Abraço!

    • Renata disse:

      Clara,
      eu pretendo não comprar nada pela internet por um bom tempo, também. Não tenho comprado e, sinceramente, não sinto a menor falta. Como eu viajei, comprei umas coisinhas.

      Também acho que a Área Útil vai acabar virando a parte principal do blog, porque eu realmente não quero mais fazer muitas resenhas mesmo e porque acredito firmemente que é uma boa seção no blog.

      beijos e obrigada!

  19. Marcia disse:

    Oi Renata, adorei o post! Economia não é muito a minha praia, especialmente com relação à tributação, mas é completamente louvável o seu intuito de fazer um debate qualificado sobre aonde nossos hábitos de consumo de produtos de beleza estão inseridos e quais são as suas consequências.

    Eu tenho um marido empresário (pessoa jurídica que trabalha como se fosse pessoa física) e posso lhe dizer: não só as taxas e impostos cobrados são absurdas. E a burocracia? também é insana. Ele é a empresa e precisa (obrigatoriamente) de contador para passar uma, digo, uma nota fiscal por mês. E paga mais de 3 impostos diferentes, incluindo taxa para o sindicato patronal. E sim, ele é o patrão de si mesmo, e paga taxa para o sindicato patronal e paga taxas para si mesmo como empregado. As vezes eu brinco: o seu eu empregado discorda do seu eu patrão? E quanto há discordância, você recorre ao sindicato ou ao analista?

    O sistema de tributação é anacrônico e insano. Mas muito eficiente em arrecadar. E isto é o que mantém sua validade perante as instituições (seja o governo federal, ou o estadual, ou o municipal). Que se dizem todas defensoras da diminuição das taxas e impostos (especialmente se for daqueles cuja a arrecadação fica com outra esfera).
    E mesmo com a altíssima taxa de corrupção, este valor arrecado financia muito da economia nacional. É um grande problema, cuja as soluções são, na sua maioria esmagadora, impopulares. Ou seja, o custo político para uma reforma tributária é alto, ao ponto de que nem PSDB e nem PT conseguirem realizar medidas que não passam de correções cosméticas (e podemos dizer que o creme utilizado não é nenhum ‘la mer’ de última geração, dá mais para um pomada minâncora) . E claro, majoritariamente medidas em prol da maior arrecadação.
    Precisamos de mais investimentos públicos? Oh se precisamos. Mas igualmente precisamos de menos impostos e uma arrecadação mais eficaz.

    Com relação aos nossos hábitos, eu mesma ando me policiando ultimamente. Gente, se será que preciso mesmo de 15 sombra azul importada? Será que esta ‘sanha’ por comprar lá fora e pagar barato no que é muito caro aqui, não está muito mais relacionado ao prazer mesquinho de acumular do que ao prazer de usar maquiagem? Concordo com você: somos um mercado consumidor novo e deslumbrado. O problema é que consumo e senso crítico são dois opostos na atual cultura do ser alguém é acumular muito.

    Nossa, já escrevi bastante. Vamos conversando. Um abç.

    • Renata disse:

      Marcia,
      pois é! Eu vivo questionando isso: uma empresa pequena é obrigada a pagar contador, mesmo que ela não precisasse, em tese. Porque são tantos, mas tantos impostos, que é impossível fazer tudo sozinho. Folha de pagamento é um pesadelo!

      Acredito que se o sistema fosse mais transparente, talvez a carga tributária pesasse menos – mas tenho certeza que a esfera trabalhista precisa de redução, principalmente porqu a maior parte do que é arrecadado não volta para o trabalhador.

      NOssa, eu também tenho pensado muito muito muito nisso de “acumular”. Por isso tento ir passando adiante, vendendo e doando os produtos, à medida que eu não me contenho e trago algum novo para casa. Acumular não pode acontecer, sabe? Mais do que já está feito, digamos assim.

      Como vou ficar um tempo sem viajar, agora, estou mais sossegada, porque comprar pela internet eu já me proibi.

      beijos

      (adoro comentários longos!)

  20. Ananda disse:

    visao tacanha é fazer um post e rechaçar dessa forma opinioes contrarias. vc nao atacou meus argumentos e sim a minha pessoa. os argumentos apresentados são os mais difundidos, é uma visão, eu apresentei a minha.
    consigo viver nesse país como todos os brasileiros conseguem, ou quem nao é conformado é que tem q cair fora?

    • Renata disse:

      Ananda,
      em nenhum momento eu ataquei a sua pessoa, não da forma como você julgou e condenou m empresariado brasileiro, generalizando a todos como sonegadores e declarando, mais ainda, que “todos” são corruptos. Daí, eu me sinto na obrigação moral de rechaçar, sim, este comentário – e não é porque é contrário à minha opinião, mas porque é um comentário preconceituoso e absurdo. Eu poderia não ter aprovado seu comentário, mas eu acredito firmemente no debate e na livre expressão das idéias – mas tenha certeza que eu não vou jamais compactuar com o preconceito, seja ele manifesto e dirigido a quem for.

      Acredito que haja, também, um problema de interpretação. Porque o que eu questionei não foi a sua postura inconformada; sequer pensei em pessismismo – o que eu gostaria de saber é como é que uma pessoa vive em um país onde todo mundo é corrupto e ladrão, não tendo sequer uma esperança de futuro melhor.

    • Marcia disse:

      Ananda, a Renta implicou acertadamente com a generalização. Poxa vida, meu marido é pessoa jurídica, é empresário (de uma empresa com um empregado só, mas é)paga todos os impostos, sofre horrores com burocracia, não consegue financiamento para seus projetos… E ainda é considerado ladrão no senso comum? Aff… Qual a diferença deste tipo de afirmação e dizer que toda mulher é burra? Afinal, não é do senso comum que nós ‘só temos capacidade para discutir’ maquiagem e moda, e que não somos capazes de dialogar sobre nada ‘mais profundo’. Você certamente não concorda com esta generalização, ou concorda?
      Me doí quando leio um comentário como o seu, por que é tão distante da minha realidade. Muitos brasileiros sonegam? Muitos. Empresários, profissionais liberais, fazendeiros, e por aí vaí. A corrupção realmente não é só um problema institucional, trata-se também de um problema de cultura política. E começar a compreender como nossas instituições e sociedade funcionam pode ser uma estratégia inteligente para mudar.

      Sim, por que ao contrário do que pensam os reacionários, o mundo muda. Qualquer mulher com curso superior e trabalhando também fora de casa é prova viva disso. Há 50 anos este não era o horizonte sequer desejável de toda uma geração de mulheres no país.
      Vai levar mais tempo para mudar as várias práticas de corrupção no país? Oh… vai. Mas se nunca começarmos, nunca mudaremos.

    • Renata disse:

      Marcia,
      pois então. Não dá para generalizar e chamar todo empresário de ladrão. Mas no Brasil esse é um estigma que vive aparecendo até na imprensa. Quando um jornalista quer denegrir um personagem, já chama de “empresário”, como se fosse ofensa!

      beijos

  21. Tatiana Matos disse:

    Re,

    Não sei se você irá se lembrar do meu último comentário aqui no seu blog, quando disse que nós, suas leitoras, queremos conteúdo. Veja o quanto você nos proporcionou de conhecimento, com temas de Economia, Contabilidade e, principalmente, Cidadania. Muito dos assuntos abordados aqui, mesmo sendo formada em Ciências Contábeis, já não me recordava mais, pois atuo em recuperação de PCLD, e você nos deu uma aula. Mais uma vez, muito obrigada.

    • Renata disse:

      Tati,
      ter leitora como vocês me faz crescer muito, porque eu posso escrever posts longos, posso desenvolver assuntos complexos e indigestos e ter certeza que vocês vão participar e debater o tema. Acho que o dissenso estimula ainda mais o crescimento, porque ninguém vive de concordância – por isso, fico ainda mais feliz em saber que não apenas posso escrever, como disse acima, porque nos comentários eu vou aprender mais ainda.

      beijos

  22. Ananda disse:

    “e outra o q os empresários sonegam nao está no gibi, mas como todos sao corruptos fica elas por elas…”, o “todos são corruptos”, nao quis dizer todos os empresários, e sim generalizei o jeitinho brasileiro, a maneira generalizada em que a corrupção está entranhada em nossa sociedade. Ademais estou me referindo a industria cosmetica, responsavel pelas marcas que fazem parte do universo do blog, e nao a micro e pequenas empresas. Peço desculpas a quem se sentiu ofendido, especialmente à Márcia.
    O que para mim ficou patente foi uma indisposição em aceitar opinioes divergentes, apesar de vc afirmar o contrário, sem realmente contrapor-se aos fatos apresentados. Uma leitora colocou que a culpa seria do consumidor, o que eu concordo pois, se nao aceitassemos preços abusivos, com certeza, as condições seriam alteradas, basta ver como o consumidor é valorizado lá fora. Claro que há casos em que ficamos reféns mas, de uma forma geral, cosméticos não são produtos de primeira necessidade.
    Sobre o questionamento sobre o porquê continuar morando em um país como o Brasil achei descabido, pois eu criticar o povo brasileiro nao importa necessariamente que eu acho que ele não tenha jeito.

    • Renata disse:

      Ananda,
      eu conheço várias indústrias do setor de beleza que não sonegam. Mas se eu falar o nome delas e omitir outras, vão achar que as outras, as quais eu não conheço, sonegam? Não vou fazer isso, não é minha postura aqui no blog nomear empresas, nem generalizar, nem apontar dedos. Não acho que é a maioria que sonega, não acho que o brasileiro ainda se rende ao jeitinho, mas respeito sua opinião.

      Suspiro, vou tentar explicar novamente: em nenhum momento eu quis dizer que você não deveria morar no Brasil. A pergunta é basicamente uma retórica, é um questionamento em relação à postura e à visão, do tipo: como você aguenta, se acha que todo mundo é ladrão, viver no meio deles, sem esperança e com tanta descrença? É isso, apenas.

      beijos

    • Marcia disse:

      Ok Ananda, eu entendi. Sem ressentimentos. Debates online são mais fortes e apaixonados, diferente de quando estamos face a face com quem dialogamos, e as vezes o que escrevemos não é a tradução fiel daquilo que queremos dizer. E há também o livre interpretar dos outros leitores, enfim, existem abismos de significado entre aquilo que pensamos atrás de uma tela e aquilo que outras pessoas entendem do que escrevemos.

      Também acho que a margem de lucro das empresas que importam cosméticos é elevada, mas tenho apenas indícios disso. Quanto elas lucram? Pouco é que não deve ser. Mas acho que este fato não invalida o raciocínio apresentado pela Renata. Há mais do que ‘só’ uma perspectiva pouco inclusiva da faixa de mercado voltado para cosméticos na definição do preço final cobrado ao consumidor.

      Acho que este seria um tema para outro post, não é mesmo? Já que a Renata não afastou o peso deste argumento, ela quis desenvolver o outro lado. Vamos conversando.
      Um abç.

  23. Laiane Rocha disse:

    Olá, tenho uma prima que foi morar nos EUA e ela vai me mandar algumas coisas de lá e conversando com ela sobre o risco de ser taxada, não soubemos avaliar o real perigo de ser taxada nesse caso… Eu posso ser taxada mesmo sendo um presente enviado? E sobre o valor a declarar? Ela disse que iria declarar um valor abaixo de 50 dólares, mas evidentemente o valor é bem maior que isso… Se ela declarar o valor real e mandar como gift? Mesmo assim corro o risco de ser taxada? Desculpa as dúvidas simplórias, mas é que não entendo muito disso…

    • Renata disse:

      Laiane,
      A isenção é para remessas de até 50 dólares, destinatário e remetente pessoa física, não importa se vem marcado como gift.

      A Receita pode abrir seu pacote e entender que a declaração de valor não é compatível e taxar de acordo com as tabelas deles. Ou pode dar perdimento da remessa. Ou pode simplesmente não acontecer nada e liberarem seu pacote. É uma aposta e não dá mesmo para prever o resultado.

      Beijos

  24. Amanda disse:

    Renata, você viu o preço da base nova da Contém 1g? Tem um monte de blogueira famosinha resenhando ela! R$157,00! Tá de zueira, né? Quase 20 reais mais barata que a studio fix, fix fluid, etc etc? Esse povo perdeu a noção, só pode…
    Faço questão de não comprar nada de lá!
    Beijo!

    • Renata disse:

      Amanda,
      eu não vi não… Vou dar uma procurada. Será que a base é importada?

      beijos

    • Amanda disse:

      Renata, é essa daqui:
      http://eaibeleza.com/2012/07/base-velvet-alta-cobertura-contem-1g/
      dá uma olhadinha!
      Ok, a base pode até ser boa… Mas mais noção, né?! rs
      beijos

    • Renata disse:

      Amanda,
      eu acho que a comparação é falha, sabe? Parte da premissa que “se é MAC, é bom”. E essa premissa não é necessariamente verdadeira. No caso específico das bases, acho que a linha da canadense é bem ruim, com exceção da minha amada Face and Body. A Studio Fix é super amarelada, embora seja uma base até que razoável. A Studio Sculpt eu achei horrorosa, idem a ProLongwear – e está cheio de gente reclamando que tem espinha quando usa base da MAC.

      Então, eu não preferiria “por esse preço comprar uma MAC” – do jeito que fica apresentado, fica parecendo que é melhor pagar pela marca do que pela base! Se a base da Contém é boa, então porque pagar a mais pela da MAC só porque é importada? Importado é bom de comprar no país de origem, sem a carga escorchante de tributos que pagamos aqui. Importado é SEMPRE melhor que nacional? Não, não é sempre, tá cheio de importado porcaria!

      Este pensamento que importado é sempre melhor é resquício de quando o país tinha o mercado fechado e produtos nacionais horrorosos, mas é também condizente com o perfil imaturo do consumidor brasileiro, que olha para a marca e para a ostentação em detrimento da qualidade.

      Veja, eu acho que a base da Contém é cara, assim de primeira informação. Acho que tudo no Brasil anda caro demais, mas eu não concordo com o resto de todas as inferências que vieram do preço e da comparação entre marcas. Outro ponto a ser notado é o problema de imagem que a Contém ainda carrega…

      beijos e obrigada pelo link!

  25. Marcia disse:

    Oi Renata, nossa que informação… quer dizer que base mac não é boa? Taí mais uma coisa então para não testar da marca (já testei a face and body e não curti).
    Eu, sinceramente, não entendo este endeusamento da mac. Mas admito, eu tenho pé frio e dedo podre para escolher coisas da marca. A última decepção foi um lápis para olho preto. Gente, acumula e macha como qualquer um da ‘avão’(que justiça seja feita, fez um lápis decente: o mega impact é muito bom) e nem é tão preto… Ninguém merece. Ainda bem que foi online e na promoção.

    • Renata disse:

      Acho que hoje em dia tem muita coisa melhor em outras marcas, em termos de base. Melhor cobertura com acabamento mais delicado, bases mais sofisticadas. Acho a Studio Fix uma base boa, mas daquelas mais tradicionais, sem ter um acabamento super delicado. Das outras todas que provei, eu amo a Face and Body, porque me acerto com a cobertura transparente e o acabamento natural dela.

      De base “nacional”, digamos, a Mary Kay para mim oferece duas ótimas opções. E perto das outras é bem barata.

      beijos

  26. Renata,

    eu não sei você, mas o que me faz desistir de continuar fazendo compras internacionais é a clonagem do meu cartão, faço compras a dois anos e já foi clonado 4 vezes. Desconfio até do Paypal, pois nesta última vez eu só utilizava o Paypal. Lembrando que eu sempre tive anti-virus e spyware atualizados e quando acontecia eu formatava o computador, mas não tem jeito.
    Uma ou outra encomenda minha já foi extraviada e a loja me ressarciu, não me importo com a taxação, pois mesmo assim compensa!
    O que tem sido bastante chato é a demora e o extravio de produtos :(

    Bjs.

    • Renata disse:

      Magda,
      eu nunca tive esse tipo de problema com compra internacional, de segurança no cartão. Eu acho que o imposto é um risco, então também não fico muito infeliz, porque sempre conto com ele para ver se vale ou não a pena comprar. Já a demora e o extravio me irritam em demasia e é o que hoje, definitivamente, me impede de sequer cogitar comprar algo no exterior.

      beijos

  27. Elê disse:

    OI Rê, deixei para ler esse post quando estivesse com mais tempo, o que foi hoje. Obrigada pelas informações, voei em algumas coisas, mas depois vou reler, e pelas ótimas reflexões. Tenho um amigo que é um pequeno empresário, e posso acompanhar como é dificil ser empresário no Brasil. Tá aí um povo que a gente tem que valorizar, já que eles poderiam muito bem colocar o dinheiro pra trabalhar sozinho em ações, mas preferem produzir produtos e empregos, apesar de todas as adversidades já mencionadas no post e nos comentarios. Uma das maiores dificuldades que ele tem é que ele sempre é aliciado para pagar suborno, e se não aceita os fiscais criam dificuldades e atrasos para que ele aceite. É uma coerção sem dó.
    Gostei muito que você tenha nos convidado a pensar mais no panorama geral nacional e não se limitar no particular, no nosso bolso individual. É uma responsabilidade que muitas pessoas não vão querer aceitar, mas as mudanças vem com mudanças. Temos que aceitar e assumir o paapel que nos cabem em cada relação. Se a gente quer que os produtos nacionais sejam de melhor qualidade, vamos pedir, exigir e sugerir o que a gente deseja, (gostei do comentário da clara). Se alguma coisas parece ter preço abusivo simplesmente não compra…

    (Rê, adorei o post! Os comentários estão muito enriquecedores também!

    • Renata disse:

      Ah, Elê,
      esse é outro tema bem delicado e que eu já vi acontecer também. Nâo quis entrar no mérito dessa “pressão do fiscal”, digamos, porque eu não sei o quão recorrente é.Vi há uns bons anos, com consequências desastrosas para o empresário que se recusou a ceder. Mas eu tive a esperança que era mais pontual, sabe?

      Não acho que o empresariado é santo, acho que todos somos humanos e sujeitos a falhas em qualquer profissão. Mas sim, é uma escolha difícil no Brasil, piorada pelo fato que “empresário” virou adjetivo de xingamento. Complicada a discussão….

      Também gostei muito da posição da Clara e do que ela trouxe: a gente deveria fazer mais, enquanto consumidor.

      beijão

  28. dafni marchioro disse:

    Oi Rê!

    Mais um excelente texto, parabéns! :)

    O fato que talvez vc não tenha mencionado e eu acho que é crucial para as pessoas entenderem é que as condições para pequeno e médio empresários são muito piores do que para grandes empresários – aqueles que as pessoas em geral associam ao nome “empresário”. Para o grande empresário, há uma série de benesses e saídas, principalmente por causa da influência política e de seu poderio econômico. Já para o pequeno e médio, que depende muito da política econômica, é como ir pra guerra todos os dias – pode ganhar ou perder numa velocidade assustadora… Enfim, só para complementar o que já está perfeito! :)

    Beijos

    • Renata disse:

      Dáf,
      e quem é pequeno ainda tem maior dificuldade de pagar bons serviços terceirizados de contabilidade, também, o que muitas vezes prejudica o processo de recuperação de créditos tributários… E para conseguir um empréstimo/financiamento/subsídio governamental? Tem que ter uma equipe só para preparar o projeto – coisa que obviamente o grande pode muito mais…
      beijão

  29. Oi Renata, excelente texto. Além de conter informações importantes antes de criticarmos a tributação dos produtos, também deixou um espaço para argumentarmos, cada uma com sua opinião, o que achamos sobre o assunto.

    Informação sobre um assunto é essencial antes de reclamarmos, até porque existe uma diferença entre o que é melhor para a gente e o que é melhor para o grupo. O que melhor para mim? Preço baixo eternamente, claro! Mas isso é bom para a economia do país? Não! Não é assim que as coisas funcionam, e acreditar que os produtos de maquiagem deveria ter preços baixos apenas porquê SIM é muito ingênuo!

    É difícil, mas as pessoas (eu, inclusa) precisam desenvolver o senso crítico. Com tudo! Uma coisa que sinto muita falta onde trabalho é alguém questionando, argumentando, as minhas decisões. É muito fácil falar o tempo todo: “Ai, ficou lindo!” Agora, me explica, por que ficou lindo? Qual critério? O que ficou bonito? O que ficou feio?

    Enfim, dei essa volta só para dizer que eu, como consumidora, acho que: 1. Preços praticados nos produtos brasileiros estão enormes, ainda que a qualidade tenha aumentado muito! 2. Preços dos produtos importados aqui é absurdo para o MEU bolso. Sempre tenho a opção de juntar dinheiro e viajar para o exterior e comprar mais barato. A pergunta é: eu vou? 3. Trabalho no setor público e entendo como essa Lei do mais barato nas licitações não ajuda. Ás vezes somos obrigados a aceitar produtos de qualidade inferior por conta disso. 4. Reclamar dos políticos corruptos é fácil mesmo, mas continuamos comprando de vendedoras online que sonegam. É triste, mas isso acontece. E daí, tudo bem só porque somos “pessoas de bem”?

    Eu não sou nenhuma expert em economia. Ler esse tipo de post me faz pensar, mas não tenho como argumentar algum tipo de solução.

    bjos
    Lívia

    • Renata disse:

      Lívia,
      como fica se todo mundo quiser só comprar no exterior? Complicado, né? Até como modo de vida eu acho complicado… Sei que o empresário precisa reduzir os preços para se tornar mais competitivo, mas sei também que o governo precisa não apenas reduzir a carga tributária mas a burocracia. Acho que a competição também faz bem ao mercado, mas o problema é a competição elevar os preços, como anda acontecendo aqui!

      A situação é complexa, com muitos fatores envolvidos. Quando eu faço posts assim é justamente para tentar aprofundar a discussão – daí fico muito muito feliz de ler comentários como o seu, que fazem valer cada segundo que eu invisto na preparação de um post desse…

      beijão!

  30. Parabéns pelo post. Gostei do texto. Concordo com o desenvolvimento e discordo da conclusão. Ironicamente compartilho de quase todos os seus argumentos.

    Acredito que o Estado deve proteger a indústria e o consumidor. E quando os interesses forem antagonicos o Estado deveria proteger o consumidor.

    Mas parece que o foco da política fiscal não é nem indústria nem consumidor. É o Estado arrecadador mesmo :-/

    • Renata disse:

      Felipe,
      acho que uma das facetas é a do Estado arrecadador mesmo, mas não só isso. Ou pelo menos, não precisa ser só isso, sabe? Dá para ser diferente – e, na minha opinião, a gente precisa acreditar nisso para poder melhorar.

      Um abraço!

  31. Rodrigo disse:

    Obrigado pelo post, muito bom. A questão não é nem valorizar produtos genuinamentes nacionais, pois estes nem existem! Meu caso por exemplo, preciso de circuitos integrados de eletrônica. Ou pense uma marca brasileira de câmera fotográfica moderna ou qualquer eletrônico, não existe. Concordo que devemos pensar pelo coletivo, mas no Brasil, por onde isto começaria? Tem alguma idéia? Eu pelo menos não faço a menor idéia. Fazer a nossa parte? Como? Não comprando produtos (pois eles não existem)? Abraços Rodrigo

    • Renata disse:

      Rodrigo,
      acho que não só do boicote aos produtos internacionais precisa se constituírem nossas ações. Principalmente quando, como você bem mencionou, não há alternativa possível. Por exemplo, você pode dar início a um processo de conscientização dos seus colegas. Você pode escrever posts em blogs ou outras redes sociais, como eu venho fazendo, também. Nem sempre nossas ações resultam em uma mudança imediata, mas é preciso dar início – e uma ação, uma vez iniciada, tem um curso de mudança sobre o mundo que não apenas não é interrompido, como é imprevisível.

      Nós não somos uma sociedade civil articulada, como os EUA, por exemplo, onde os cidadãos se juntam em associações diversas. Nós mal conhecemos nossas políticas e nossos direitos. Por isso eu digo que a difusão do conhecimento, a ampliação do debate são ações necessárias. Porque nenhuma sociedade civil vai se organizar se não souber que precisa se organizar.

      Que acha?
      Um abraço

  32. marcelo azevedo disse:

    Bom dia. eu comprei 58 dolares em suplemento alimentar pelo site Iherb.com e o imposto que me foi cobrado pela receita foi no valor de 307,00 reais é correto esse imposto???

  33. Ademilson da Silva Ramos disse:

    Renata adorei seu post, estava em duvida de uma compra que ia fazer nos EUA pelo sit da alpinestar (uma Bota de motociclista no valor de 199,95 dólares), mas em pesquisa das taxas que ia pagar na alfândega acabei desistindo, pois essa bota iria sair bem mais cara que estão me oferecendo aqui no Brasil, e foi através do seu post que acabei desistindo, obrigado pela dica e acho que muitas pessoas que leem sem poste acabam tendo outra visão de compra no exterior. Só uma duvida e gostaria se possível que você tirasse essa duvida você acha que com esse valor de 199,95 dólares essa compra sairia por R$ 800,00 reais já convertido em real e com todas as taxas?
    Nao esta incluso o frete neste valor que mensionei

    Obrigado
    Ademilson Ramos

    • Renata disse:

      Vamos simular:
      Bota: 195,50
      Frete: 30 ( estou chutando um valor pelo frete mais barato, considerando o volume e peso da embalagem, mas é um chute, talvez você possa corrigir com o valor adequado. Sem tracking number)
      Seguro ?

      Total: 225,5 dólares ou 471,30 reais
      Imposto: 282,78 reais (60%)- estou considerando desembaraço alfandegário normal, nada via Fedex, mas o que você vai aos Correios e recolhe em dinheiro.

      Total: 754,08

      Pode acontecer de você não ser taxado, então depende de você querer arriscar ou não. Se você não mora em Sampa, pode ainda ter q pagar ICMS… Eu compraria por aqui, viu?

      Espero ter ajudado!

  34. Alexandre disse:

    Renata gostei da postagem sobre os impostos e da graminha verde… essa nosso povo conhece bem…
    Gostaria de adquirir um produto para uso próprio dos eua para sampa e estou pesquisando a melhor forma para isso.
    Já olhei nos lugares óbvios mas não achei nada que pudesse dirimir todas as dúvidas.
    Não consegui (nem na receita fed.) saber exatamente quanto será cobrado.
    O produto é barato (149,00 dólares) e não existe nada no país com a qualidade x preço.
    É uma placa de desenvolvimento para microcontroladores. Veja como o profissional americano tem facilidade em qualidade e preço para se desenvolver na área eletrônica. Aqui é justamente ao contrário. Sem tecnologia de ponta seremos mineradores, plantadores de alfaces e tocadores de gado…
    Por favor :
    O seguro está embutido no frete, peço para embutir ou faço à parte por aqui ? e o que é este seguro e quem é o responsável ? vou ser ressarcido em caso de não entrega ou extravio de mercadoria ?
    E essa informação de que sampa não está pagando icms ? é a primeira vez que leio sobre isso.
    O correio diz que a alíquota é essa:
    ICMS = Alíquota ICMS(%) x (VA* + II + IPI + ICMS + outros tributos + despesas aduaneiras), ou
    ICMS = Alíquota ICMS(%) x (VA* + II + IPI + outros tributos + despesas aduaneiras) / [1 – Alíquota
    ICMS(%)}
    *VA: Valor Aduaneiro
    Renata, não quero fazer um post maior que o seu…
    Um bom 2013 e felicidades na continuidade de seu trabalho.

    • Renata disse:

      Alexandre,
      Na importação por remessa postal ou encomenda aérea, o imposto vai ser sempre de 60%, independente da natureza do bem importado, com as seguintes exceções:
      - livros, periódiocos e impressos em papel são isentos
      - softwares- se paga só o valor do meio físico, desde que este esteja discriminado na nota fiscal
      - medicamentos para uso de pessoa física com apresentação de receita médica

      Lembrando que o limite máximo de valor para os bens importados, neste que é chamado de Regime de Tributação Simplificado (os 60%) é de 3mil dólares. E que o valor a ser considerado para cálculo de tributação é sempre o valor CIF (preço da mercadoria+ frete+seguro). Não interessa se o seguro está embutido ou não, a tributação não vai sofrer alterações.

      A cobrança de ICMS não é efetuada ou regulada pela Receita Federal, já que este é um imposto estadual. Alguns estados cobram o ICMS, no estado de São Paulo não está sendo cobrado, eu não sei por quê. Já tentei descobrir, mas não encontrei nenhuma fonte confiável. Caso fosse cobrado ICMS, a cobrança seria feita da seguinte forma ICMS= 25% x (FOB x 60%).

      No Brasil, a responsabilidade pelo envio é do vendedor, que pode cobrar seguro, se desejar, mas que deverá se responsabilizar pelo eventual extravio/dano da mercadoria. No comércio internacional eu não sei a lei, mas na prática depende do acordo firmado entre as partes. Atualmente, não compro nada sem seguro, porque do jeito que andam nossos Correios…

      Um abraço e obrigada!

  35. Ivan disse:

    O problema não é só cobrar os impostos que é de 60%(I.I.) mais 18% (ICMS) e taxa aduaneira sobre o valor da compra, caso for DHL ou FEDEX. Se for CORREIOS será de 60% sobre o valor total (compra + frete). O pior é seu pacote ser pego na Alfândega e ser sobretaxado porque o FISCAL DA RECEITA acha-se no direito de dizer qual o valor. Além de ter que compravar a compra e dizer para qual finalidade quando pego na malha fina você receberá uma multa e o valor sobretaxado. Senão vejamos: Uma compra de U$ 182.00- (4kg), Us$ 200 de frete FEDEX, o valor normal seria em torno de R$ 450,00- a mais, caindo na malha, passou para o pequeno valor de R$ 930,16. Saudade de quando morava na Europa, comprava qualquer coisa de qualquer lugar e pagava IVA (17%), aqui nós aprendemos com nossos governantes a sermos contrabandistas, pois, pedimos a amigos para trazerem em sua malas ou nós mesmos fazemos isto quando vamos ao exterior e não pagamos os impostos que não são justos, porém, deveriamos pagar …. Pobre de nós, pobre do nosso país. Quanto a CUBA, só falta não podermos mais sair do país, pois é isto que acontece lá. E tem gente que gosta.

    • Renata disse:

      Ivan,
      o fiscal tem a autonomia de cobrar mais se ele desconfia que a nota fiscal não relaciona o preço correto do produto. Quem mente na nota fiscal é sujeito ao perdimento da carga, não multa.
      Mas você pode pedir revisão – eu já pedi e foi aceito sem nenhuma burocracia.

      O FEDEX cobra uma taxa bem elevada de desembaraço aduaneiro. Mas daí é o serviço deles, não tem nada a ver com a REceita!

  36. Ruimar C. Sales disse:

    Renata, boa tarde!
    Uma amiga me mandou um presente das Filipinas que, segundo ela não custou mais de U$ 20. No momento, o pacote está da divisão da RFB que calcula e emite a Guia para recolhimento. Ou seja, já sei que serei tributado. A encomenda vem sem nota, pois trata-se de uma lembrança. O produto não tem no Brasil porque é um briquedo que representa o transporte da região e uma caneta esferográfica (brinquedo sem controle remoto – simples). Como você informou acima, posso pedir revisão de valor caso não concorde. Eu posso também desistir do produto caso ache o imposto absurdo por se trata de um presente? Ainda não recebi a notificação e já estou com um problema para resolver. Obrigado e parabéns pela postagem.

    • Renata disse:

      Você pode desistir, é só não ir pegar o produto que ele vai ser devolvido ao remetente.
      Mas acho que vale a pena você pedir a revisão, porque é um presente e, sendo presente abaixo de 50 dólares, você tem direito à isenção.
      Mesmo não tendo nota fiscal, o remetente certamente preencheu uma declaração de valor, que serve como documento para você contestar a tributação e acompanha todo despacho internacional.

  37. :) disse:

    Preço de Brasil não é tão alto por causa de imposto, os impostos impactam bastante mas não é o unico motivo, fiat uno custa 6000 para fiat, isso mesmo 6000 zero!, e voce tem q pagar no minimo do minimo bem chorado uns 20 e tantos mil. Os preços são altos pq o brasileiro eh troxa e gosta de pagar caro, acha que status ou sei la oque, produtos importados mesmo com todos os impostos ainda fica com uma margem de lucro absuurda.. então não é só de imposto, não é dificuldade de produzir com custo baixo, não totalmente, a maior parte nisso eh ganancia e gente idiota pra comprar.

    Ainda bem q tem gente q importa, ainda bem q eles conseguem passar sem pagar impostos pra repassar a preços acessiveis. Ficar sustentando politico corrupto, empresario ganacioso, não é pra mim! principalmente quando não ha retorno. Os produtos brasileiros são mais barato de se comprar la fora do que aqui no brasil.. Isso é um absurdo!

    • Renata disse:

      Em relação aos carros, tenho certeza que existe um lucro absurdo, incluindo os carros importados – não tem como o imposto de importação ser tão alto.
      No caso dos cosméticos nacionais, 50% do preço final é imposto! E como eu não sei qual o preço de custo para as empresas, não posso opinar se o markup é alto…

  38. Débora Oliveira disse:

    Boa noite, Renata,

    minha cunhada me enviou três óculos dos EUA declarando o valor de 100 dolares. O valor real é de 105 dolares, dois oculos custaram 50 dolares cada e um 5 dolares. Ela não colocou a nota fiscal. Os produtos foram barrados no Rio e eu terei de pagar os tributos quando eles chegarem em Salvador. Gostaria de saber se, por acaso, eu posso fazer alguma alegação pela isenção por se tratarem de produtos que individualmente não ultrapassam o valor de 50 dolares? Tenho as notas fiscais e posso apresentá-las. Há alguma alegação por se tratar de produtos enviados por pessoa fisica à pessoa fisica? Essa questão do “gift” só pode ser alegada se ela tiver marcado essa opção na hora do envio? Se nada disso der certo, seria melhor deixar os produtos lá para eles serem reenviados a ela e depois ela mandar de novo eles separadamente?

    Obrigada pela atenção e desculpe-me tantas perguntas.

    Débora

    • Renata disse:

      Débora,
      Não importa os valores em separado. Importa o custo total da operação – você vai ser taxada em 105 dólares se puder comprovar ser este o valor deles. A isenção é para remessas até 50 dólares, contando valor total. O frete deve ser contabilizado também.

  39. Débora Oliveira disse:

    Entendi, Renata. Se nós não formos buscar os produtos eles são enviados de volta à quem os enviou? Pq pelo que estou percebendo, talvez saia mais barato fazer dessa forma.

  40. Ademir Mota disse:

    Renata, boa tarde.

    Me tire uma dúvida por gentileza.
    Eu fiz uma compra nos EUA e total (considerando o frete+produto) foi de US 57,98. O valor dos impostos devem ser calculados sobre esse valor ou seria apenas sobre a diferença (US 7,98)?

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