Vivienne Westwood, Fall 2011 RTW
Antes do post, uma explicação – eu não sou muito afeita a usar palavras inglês entremeando o meu texto. Embora ocasionalmente eu use, até umas expressões, são em geral referências a filmes, ou séries que eu costumo assistir – como no post intitulado “And we’re back!“. Ou cores intraduzíveis, como teal, taupe, etc. Tento evitar, embora às vezes eu faça sem me dar conta. Mas, tento evitar justamente porque acho meio esnobe e porque eu acho que a gente precisa saber manusear a mátria sem apelar para anglicismos. E acho um saco ficar lendo textos com palavras em francês, por exemplo, porque não entendo nada. E tem gente que não entende nem é obrigada a entender inglês e provavelmente se sente como eu, quando se depara com termos estrangeiros entremeando um texto.
Neste caso, eu realmente não encontrei uma única palavra que eu pudesse usar e fosse adequada ao que eu quero dizer, por isso fui obrigada. Vou mostrar neste post exemplos onde a maquiagem não foi feita com fins corretivos – por exemplo, para uniformizar a cor da pele, ou corrigir olheiras, nem com efeitos de embelezar no senso estético convencional.
Quero falar daqueles casos em que a maquiagem serve para demonstrar fortemente um traço de identidade ou de espírito de uma pessoa. Uma pessoa pode usar a maquiagem para chocar. Outra pode usar para expressar, de maneira diferente e também chocante, seu conceito estético. Ou seu desprezo pela estética que a maioria considera “apropriada”.
Já tratamos brevemente deste tema em posts passados. Eu até postei um poema meu, que vou republicar agora – e comentei que ele é, em parte, uma faceta minha sim. Já usei os olhos pretos quando queria esconder (velar) sentimentos. Ou como uma pintura de guerra, também. E a Eugenia contou nos comentários, em outro post, que usa um pigmento amarelo-ovo como a pintura de guerra dela
máscara
nos dias de luto
deixo os mortos
à terramaquiagem é escudo
o preto nos olhos
vela a perdapinto o rosto
como quem vai
à guerra
No primeiro exemplo que trago aqui, a atriz Rooney Mara interpreta o papel de Lisbeth Salander, personagem da trilogia Millenium Series, do escritor sueco Stig Larsson. Não vou entrar em detalhes sobre os livros, que se transformaram em best sellers, série e, agora, filme. No livro, ela é uma moça muito magra e pálida, com cabelos ruivos, mas tingidos de preto e cortados muito curtos. Ela tem tatuagens e piercings. Vítima de uma infância traumática, vítima de abusos diversos, ela se torna uma adulta introspectiva, introvertida e eu diria que talvez associal. Ela é revoltada, tem desprezo por autoridades, é extremamente desconfiada, é uma hacker talentosa e tem contatos com pessoas que, como ela, vivem às margens da sociedade.
Vocês podem imaginar, então, que ela obviamente tem diversas declarações não faladas a fazer, que representem de forma inequívoca o que ela pensa e sente. E como manifestar, sem falar, essas coisas? Pelas atitudes, obviamente, pelas roupas e – sim – pela maquiagem e cabelos. Quem fez a caracterização dela para o filme, no quesito maquiagem, foi a Pat McGrath – como a Sandra comentou, quando falamos dos olhos tipo guaxinim que a maquiadora anda fazendo tanto. McGrath fez vários looks para a atriz, nas mais diversas situações do filme. Confiram algumas imagens.
(E ainda tem o gostoso do Daniel Craig para a gente alegrar os olhinhos)
Além dessa estética digamos mais óbvia, do preto agressivo, há outras formas de making a statement com a maquiagem. Outro ótimo exemplo vem dos looks criados para os desfiles da estilista Vivienne Westwood. Ela é uma das responsáveis por trazer a estética punk para a moda, ela é totalmente anti-convencional, é engajada, é punk, ela já desenhou roupas para prostitutas, motoqueiros, roqueiros, punks e etc. Ela que usualmente veste a Helena Bonhan-Carter nos Oscars e são sempre looks estranhos, extravagantes e totalmente contra a estética corrente do bonito e arrumadinho. E ela tem aquela linda tiara de chifres com brilhantes que eu gostaria muito de comprar.
Ela é o avesso da estética arrumadinha, então, se vocês imaginarem a maquiagem “de bonita” que alguns adoram falar, ou as maquiagens da cafonália do desfile da Victoria’s Secrets, por exemplo (que são de “bonita”), ou as maquiagens de “rica”. Não, a Vivienne faz o oposto disso. Vamos conferir alguns exemplos?
Essa está fácil, convenhamos
Adoro as makes desse desfile, adoro! Esses coloridos todos ficaram fantásticos e os cabelões também. Foi no desfile Vivienne Westwood Red Label Spring 2012.
Enfiei a cara no pó e fui desfilar!
As duas abaixo são maquiagem de “bonita”ao contrário – amo!
Acho o máximo as duas acima. Uma tapa na cara da maquiagem de “bonita”. Eu sou uma adoradora de maquiagem, vocês sabem – mas eu acho ótimo quando alguém chuta e balde e desconstrói as estéticas, desconstrói tudo aquilo que é levado a sério demais.
Gosto dessa, é quase normal, hehe. Olhos borrados, as modelos descabeladsa e com bóbis no cabelo!
Gosto particularmente dessas abaixo, do colorido e dos toques de dourado.
Eu adoro uma coisa estranha. Bizarra. Não-convencional. Extravagante. Subversivo, principalmente.
E vocês, meninas? O que acham dessa anti-estética que a Vivienne traz? Quando é que vocês usam a maquiagem como statement? Como é que vocês se pintam para a guerra? Qual a cor das suas subversões?































Renata, também odeio anglicanismos em excesso (o prêmio vai pra “fazer o ‘blending’ da sombra”). Nossa língua tem tanta fama de ser difícil, mas é tão extensa que certamente há uma palavra pra expressar o que as outras conseguem, ainda que não seja das mais usadas. O problema é que, do alto da minha cabecinha de férias (hihi jogo os livros pra cima mesmo nessa hora), não me vem nada que capture a essência do “statement” como a própria palavra consegue… O nosso “depoimento” é simplório demais, e “expressão” ou “significado” não tem a agressividade da ação que o “statement” parece guardar.
Mas sobre as makes da Vivienne: NOSSA, juro que me arrepiei a cada foto, de sentir algo como “ISSO é usar maquiagem como expressão de arte”, não desenhar um laço de fita na pálpebra ou fazer um puxadinho mais etéreo. Uma arte que evoca a explosão dentro e fora da gente e estampa, literalmente, na nossa cara, quando tão poucas coisas conseguem fazer isso. Amei muito.
Minhas preferidas foram o literal “enfiaram a cara no pote de glitter” e as caras brancas com as faltas e os excessos, com os detalhezinhos e detalhezões que fazem um “statement” bem na nossa cara ao estarem nessas. A da moça com o lenço foi a melhor, pra mim. Nossa, amei tudo.
Meu “statement” ano passado foi parar de pintar as unhas (coisa que sempre fazia). Milhares de efeitos gritantes e tão TENDÊNCIAAAA, e eu cansei deles todos, então as unhas nuas foram liberadoras pra mim. Nunca tive muito problema com make, porque uso o que dá na telha quando quero fazer um look, mas o boom das unhas nesse ano foi excessivo demais, daí o meu “statement”. Minhas amigas até se surpreenderam no começo, mas logo a coisa ” tem muito mais coisa importante e de destaque na gente do que nossa unha” chegou nelas, e a gente desencanou meio que geralmente de esmalte. Ruim é voltar pro hábito, que esse ano é ano de estágio e “manter as aparências” é uma regra antiga… Veremos como será meu “statement” particular a isso
Bjos
Rose,
realmente, blending é demais, hahahaha.
Infelizmente, para o making a statement não tem nada tão simples, eu passei um bom tempo revirando minha cabeça, procurando dicionários, etc.
Volta e meia eu tenho isso com as unhas. Corto bem curtas, inclusive a dos pés, e mantenho limpas e só. Aliás,para ser franca, eu gosto das unhas dos pés ao natural, desde que bem cuidadas e com cutículas em ordem, etc. Esse é um dos meus statements também, deixar minhas unhas serem rosinhas naturais e livres.
O próprio fato de me maquiar é outro, já que há anos que eu uso maquiagem e a maior parte das pessoas que me rodeiam não o fazem. Há algum tempo, então, era um absurdo o fato de eu estar sempre com meu batom escurinho, lápis e rímel. Nunca fui muito de base e corretivo e como tenho a pele rosada, podia dispensar o blush numa boa.
As pessoas se prendem muito às regras e ao comportamento de manada. Não guento!
beijos!
Menina!!!! como vc gosta de sacudir as coisas por aqui não?? nunca pensei que um blog de maquiagem pudesse ser tão desafiador, é surpreendente!!
Qdo eu tinha 23 anos e estava na faculdade, eu cortei meu cabelo punk, era curto, raspado e espetado no alto da cabeça!!!!! eu me sentia linda e poderosa!!!! mas foi impressionante como algumas pessoas ficaram incomodadas,alguns acharam que eu era louca…gente me parava na rua….meus pais acharam horrível…mas ao mesmo tempo divertido!!!! e foi nesse período que eu conheci meu marido, e até hoje ele fala que se interessou por mim porque achava que eu era louquinha…
Eu acho que essa foi a primeira vez que eu ” me usei” como expressão e referência, como um símbolo,.
Mais tarde já casada, eu conheci o delineador através de uma amiga, e eu achei aquele traço nos olhos tão lindo, que virou minha marca!!! na época era um vidrinho preto da Helena Rubinstein, depois vieram outros…
Eu só usava batons vermelhos e vinhos, e unhas vermelhas com áneis em todos os dedos!!!!e isso ás 8 hs da manhã para trabalhar!!! as pessoas me chamavam de excêntrica ou perua, perguntavam se meu marido ” deixava” era engraçado como as pessoas se incomodavam!!!
Apesar da minha aparência diferenciada eu nunca tive problemas, eu sempre fui respeitada.
Hoje aos 48 anos, eu estou muito mais suave , a maquiagem não tem mais um sentido de contestação ou afirmação, acho que ela foi tão incorporada por mim, não mais como símbolo, mas simplesmente como eu sou…
Qto á estética da Vivienne é interessante como espetáculo, mas será verdadeiro??/ ou uma jogada de marketing…” vejam como eu não ligo”, “como sou underground”, afinal de contas ela quer ou não vender sua coleção??????
Bjs
Sony,
é sempre bom a gente sacudir um pouco para mudar a perspectiva, ampliar os horizontes, esticar os olhos. A gente precisa ver além da manada, né?
Hihihi, jura que você foi moicana? Que máximo!!!
Eu também sempre usei maquiagem, muito antes da febre atual. Sempre pintei as unhas de esmalte escuro, sempre mantive meu cabelo aneladão, armadão. Esse negócio de chapinha não é comigo!
Bom, não tem como se separar o que é marketing do conceito, hoje em dia. Mas é verdade que ela é uma subversiva, sempre foi, em vários aspectos da vida. E a gente pode ganhar dinheiro e, ainda assim, ser fiel á própria estética e aos próprios valores, sabe? Essa idéia de que tem que passar fome para se mostrar autêntica é equivocada, na minha opinião, e vem do fato que tem muita gente que quer vilanizar o lucro – que per se, não é o mal da civilização.
beijos!
Renata, chegou a hora: em sinceridade sempre acompanhei seu blog, de forma menos intensa diga-se de passagem, e sempre gostei muito. Agora, tenho feito isso de forma diária.E preciso dizer que me identifico por demais com a sua forma de pensar. E admiro a “limpeza” de suas escritas…Razão de me sentir cada vez mais próxima. Como se eu estivesse ali entende?
Gosto do controverso, da descontrução bem como gosto da maquiagem “de bonita”.Esse lado bizarro, não convencional traz à tona um lado interessante…Como se realmente estivesse “travestida” para a guerra.Neste caso a maquiagem tem que ser poderosa, e para mim o olho pretão com toques metalizados materializam esse poder.bjs. Clau
Claudia,
é uma delícia poder estabelecer um relacionamento desse com as leitoras, que vai além do que está escrito no blog.
Também gosto do olho preto. E do azul royal muito intenso. Acho que meu novo statement tem a cor azul com fundo roxo, bem vivo.
beijo grande
Agora “sir” Daniel Craig…
Você vai entender:
Preciso de um desses… neste momento…. ahahahaha
Aaaaaaahhhhhhh quem é que não precisa? Ou pelo menos naõ gostaria?
uuuhhhhh lindooo!
Olá Renata! Adorei todo o post, e ver o meu nome lá pelo meio encheu o meu ego LOL
Eu considero que maquilhagem é, com certeza, pintura de guerra. É o modo como nos apresentamos ao mundo, e por isso também é uma arma. Podemos modificar o modo como os outros nos vêm apenas pela maquilhagem: séria, divertida, poderosa, suave, etc. Não sei onde eu li ou ouvi que “Mulher e índio quando se pintam é porque vão para a guerra” e concordo plenamente!
A minha pintura de guerra costuma ser batom vermelho-sangue, sempre que faço uma apresentação importante (ex. congresso) eu uso, é uma forma indirecta de chamar atenção para o que eu digo ao chamar atenção para os lábios. E uma mulher de lábio vermelhos é capaz de tudo
Quando a situação o exige eu mudo o visual, mas nunca deixo o meu statement ao acaso.
XO
P.S.: Vou ser o filme na semana que vem, já estou em contagem regressiva.
Sandra,
hum, você me fez lembrar que o vermelho já foi a minha pintura de guerra também.
Acho até que esse é um ano vermelho, o ano do dragão, sabe?
Aaahhh conta depois se gostou e se o DAniel está um charme com aquele sotaque britânico? Suspiro…
beijossssssss
Ai Renata, o Daniel Craig está um charme seeeempre. Esse homem dá cabo de mim… Olha só o que acaba de sair, primeira foto oficial do novo Bond http://www.empireonline.com/gallery/image.asp?id=57397&caption=&gallery=3555 morri!
Sandra,
nossa, essa foto deu cabo de mim todinha, hihihihi
beijos
Eu tenho uma tradução pra isso que vc quis dizer: maquiagem de autoafirmação.
Caroline,
obrigada pela idéia, mas é mais do que isso. Porque não contempla só a autoafirmação, contempla uma série de coisas a serem faladas que não necessariamente têm a ver como autoafirmação. Mas com declarações contundentes, talvez? Ah, ODEIO quando me falta a palavra.
beijos!
olho guaxinim com cílios postiços, pele super feita, tudo isso durante o dia… em algumas situações, é minha subversão, acho fino! rsssss bj
Olho guaxinimmmmmmmmmmm! Adoro, adoro adoro. Se for durante o dia então, acho ainda melhor, haha.
beijos
AH e acho o máximo usar a make de forma performática. Claro que não encaixa na vida da maioria das pessoas, geralmente apenas nas que têm profissões artísticas, mas de ditadura da make de bonita, ditadura da phyneza e de caga-regra já estou cheia… bjk
É essa gente querendo “higienizar” os outros, deus me livre.
beijos
Se vc pudesse imaginar o quanto me fez bem descobrir o seu blog ,estou cansada desses blogs de beleza cheios de ditadura,que falam o que vc pode ou não usar,eu estava me sentindo presa em um país livre. Amo maquiagem ,mas quero usar o que gosto,o que sei que fica bem em mim e principalmente, o que me faz feliz,cansei de gurus que fazem maquiagem lindas e só saem de pele feita e batom porque não querem ser diferente do grupo,pois,eu quero,aliás eu sou diferente,nós somos diferentes,únicos,e é isso que faz a vida ser uma delícia.
Que felicidade é saber que não estou sozinha neste mundo mágico de cores seja de maquiagem ou esmaltes,que querem e são livres para usarem o que quiseram,mas sabendo que ser livre exige coragem e parece que não só a criadora linda( vc é linda mesmo!) deste blog tem ,mas suas seguidoras tb,parabéns pelo seu trabalho.
Ah! Meu cabelo é cacheado e com volume e tem sempre um me falando porque não faço alisamento e sempre digo,não obrigada,nunca tive vocação pra ser soldadinho,todo mundo com a mesma roupa e cabelo,kkkkk.(Só que tem um detalhe,somente as mulheres falam para eu alisar,os homens sempre elogiam,será porque? rsrs).
Beijos
Renata,
meu ex marido sempre achava ruim quando eu “domava” meu cabelo. Ele dizia assim, delicadamente: está bonito, mas eu gosto mais selvagem – e desenhava assim com a mão uma juba de leão, hehe.
Engraçado, todo mundo quer se destacar na multidão, mas quer continuar sendo igual. Quer ser igual-destacada, de preferência lançar tendências. Mas abraçar o que é mesmo, abraçar a diferença, o dissenso – ah isso ninguém quer.
A melhor parte – sem demagogia – de fazer esse blog é ter esse contato com vocês. Porque volta e meia e também me sinto sozinha.
beijo grande
Definitivamente seu blog foi um achado pra mim. Num mundo de futilidades ele foge do óbvio e eu adoro isso!
estou curiosa pra assistir essa trilogia, e eu também acho o D. Craig um charme…
Mel,
obrigada, fico super feliz com o feedback de vocês.
Nossa, o Daniel dá até um calor no baixo ventre, hihihi
beijos
Ei Renata
Que grata supresa este post! É uma abordagem muito relevante especialmente pq vivemos cercados por subculturas e moda alternativa. Como vc disse tem muita gente por aí que se veste e se maqueia para se expressar e não para serem aceitos. Mas claro que tudo na vida é um paradoxo…. claro que eu vou me render a ditadura da moda para causar boa impressão numa entrevista de emprego por exemplo, ou mesmo para me manter no trabalho e causar conforto e receptividade a meus clientes.
Mas no dia a dia é muito bom enlouquecer e ser eu mesma heheh.
Amei as fotos com os olhos supercoloridões…. me faz sentir cheiro de água….kkk
Bjocas, vc é ótima!
Sheila,
a gente faz concessões porque precisa. A vida é feita assim, de negociações – porque nunca a gente faz só o que quer.
Mas, fazer concessões não significa quebrar a espinha, né?
Beijão!
Acho que o que eu faço não chega a ser um Statement… Qdo estou triste eu me maquio ‘de bonita’ como dizem por aí. Acho que é um Statement ao contrário hahahah.
Odeio anglicismos tbm, adoro seus textos. bjos
É o seu statement e pronto.
Risos, é curioso isso, você se dilui em meio a multidão para ninguém notar sua tristeza, será?
Divã conversa de beleza!
beijos
Hehehe é isso mesmo! Por muito tempo eu alimentava minha tristeza deixando-a transparecer nas minhas roupas e aparência. E as pessoas percebiam isso, claro. Daí entendi que isso só alimentava mais e mais minha tristeza. Quando descobri o mundo da maquiagem descobri que podia interromper esse ciclo. Saber disso é tão poderoso! Digo que foi libertador até para mim. Aprendi a me amar do jeito que sou, e a me valorizar mais nos momentos que preciso. Ainda que algo externo, acredito que o exterior tem influência no nosso interior.
Aaaah já discuti muito isso nas minhas sessões de análise! hehehehe Bjão
Talita,
é muito bom a gente encontrar meios para lidar com a tristeza de modo a afetar menos nossa funcionalidade diária. E é sim um ciclo vicioso.
Parabéns por ter trilhado esse caminho todo, não é fácil a gente se investigar e encontrar caminhos para contornar as próprias neuroses, não?
beijo grande
Como me identifico nesse post… era chamada de estranha e excentrica, passei minha adolescência inteeeira me trajando e transformando no que eu queria expressar de verdade, hoje em dia (mais cascuda) me sinto mais liberta com palavras e atitudes, poucos simbolos da minha época de revolta sobraram, ficaram os piercings, alargadores e o cabelo quase sempre cheião… aliás, depois dos 18 anos nunca mais fiz uma escova sequer, acreditando (minhas teorias loucas) que os cabelos escorridos me trariam um aspecto submisso!
Outro dia fui num show de jazz ao ar livre na Lapa e achei “conveniente” usar cílios postiços roxos…. você não imagina a cara de espanto das pessoas, me irritou e fez pensar muito sobre a falta de arte na vida dessa gente.
Obrigada pelo post e por me fazer sentir que não estou tão sozinha. Sempre que leio um desses seus posts, tento comentar mas me faltam palavras, hoje consegui me soltar um pouco. beijos
Juliana,
eu também sempre fui meio excêntrica – mas de um jeito diferente do seu. E ainda com um cabelão ruivo enrolado armado para complementar, haha. Mas eu sempre gostei de coisas diferentes e sempre respeitei meu gosto. Acho fundamental a gente ser leal a si mesmo.
Nossa, amei a idéia dos cílios roxos. Eu também acharia muito apropriado, se estivesse no seu lugar!
Já pensou que as pessoas podiam estar simplesmente espantadas com sua beleza diferente?
beijo grande e super obrigada por comentar!
Rê, muito legal este post! Os exemplos que vc pegou também são perfeitos… e a maquiagem, inclusive, pode ser uma marca especial de um personagem, como uma “característica”… consigo lembrar de pelo menos duas pessoas que têm como marca registrada um tipo de maquiagem.
Para mim, batom vermelho é poder. Quando me sinto poderosa, uso. Quando estou triste, não uso nada de maquiagem – deixo a cara limpa mesmo. Vou até pensar sobre isso, sobre a “não-maquiagem” quando estou triste…
Beijos
Dáfni,
eu nunca saio sem maquiagem, haha. Pelo menos um rímel e um batom eu uso.
Acho que quando estou triste, eu tendo a elaborar um pouco mais na maquiagem, a construir uma máscara mesmo.
beijos
Rê,
também adorei o post e as reflexões; fiquei dias pensando na minha make de guerra (rs).
Acho que, como você, viver maquiada em um mundo a minha volta de não maquiados foi uma forma de me posicionar por um tempo.
Hoje a maquiagem tem tantos sentidos para mim: prazer, descoberta, superações, alegria, nostalgia… Uma coisa que eu estou cada vez mais vivendo com a maquiagem é me permitir e respeitar ao mesmo tempo, um equilíbrio que está me fazendo bem; sabe como?
Agora a make da Pat na caracterização da Salander americana eu não gostei não! Primeira vez que não gosto de uma maquiagem dela: ficou muito muito branca; o olho está lindo, mas não gostei do conjunto, não gostei do cabelo e até achei que faltou tatoo! rs
A Salander sueca está muito melhor… embora o Daniel Craig por si só já vai me levar ao cinema certamente!
E da Vivienne eu gostei de quase todas: essa verde azul e blush roxo aplicado em quase todo o lado do rosto está ótima! A preta e branca zumbi também; a de glitter na cara toda? Amei!
Beijos!
D,
eu achei que a caracterização da Pat ficou mais abrupta, mais insolente, mais agressiva. Eu não assisti à série original, mas vi fotos no Google. Achei que a Lisbeth do cinema ficou mais do jeito que parecia na minha cabeça – menos o cabelo! A Lisbeth da série é muito linda, hahaha.
Também gosto de praticamente todas da Vivi, minha ídola
beijos
Hááá Vivienne! Se eu tivesse libras pra gastar, iriam todas nas peças dessa senhora punk! Amei ver a Lisbeth aqui, ela é meio que um ícone feminista pra mim.
Oras, eu tô morrendo de vontade de cortar meu cabelo curtinho, todo mundo fala que vou ficar ridícula porque sou muito alta (1,80), mas sabe, tô quase mandando catar coquinho e indo lá passar a tesoura no loiro.. Ele era no meio das costas, agora tá na altura do ombro… E Tô empolgando…
Meu statement é uma jaqueta de couro que era da minha mãe com calças boyfriend e all star pra ir pra faculdade de direito. O statement da maquiagem é um olhão preto com glitter. Eu tenho um espírito de traveco dark. O povo mal fala comigo, hihihihi. É até legal ver o esforço da galera pra se enquadrar no padrão da “ryquezah”. Ficam todas iguaizinhas, alunas e professoras… Bonecas de esmalte vermelho ou branquinho, maquiagem agrada-homi e saltinho da mmoda. Se a moda é agulha, bora todo mundo comprar salto agulha. Se a moda é casquinha de sorvete, todo mundo com a bendita. Se a moda é bota country… todas de vaqueirinha.
E o cabelo-comprido-com-luzes-e-chapinha, então. Sento no fundo da sala e me assusto com a falta de diversidade…
CHAAAAATOOOOOOO
Ih, Clara, se fosse assim nenhuma modelo usaria cabelo curto, elas são tão altas!
Ooohh você vai toda dark na faculdade de direito? vixi, eles devem morrer de medo de você, hahahaahahahha!
É, mudam os nomes, mas os cabelos e a estética higienista continuam as mesmas, que TÉDIO.
beijão