Do mercado, do acesso à informação e outras avenças

Desenvolvendo o assunto do post anterior, quero informar que a classe C representa cerca de 52% do mercado de cosméticos, 53,66% do percentual de vendas de maquiagem. Estes dados levam em conta que a classe C tem rendimento mensal de 4 a 10 salários mínimos (estimadamente R$2.500 a R$6.200). Não é à toa que todas as empresas olham com carinho para esta classe social; não é à toa que as empresas querem também ter produtos aspiracionais: considera-se que a classe C é a que tem maior mobilidade social. Porque, mesmo se hoje meu produto não pode ser adquirido por consumidores da classe C, é bom que minha marca seja aspiracional e provoque neles o desejo de compra – já que grande parte dos meus consumidores de amanhã poderá vir desta classe.

Agora vamos pensar em termos de influência no consumidor – ou a maior parte deles, que é da classe C. Quem vocês acham que provocam maior desejo de compra no consumidor: Alice Salazar ou Celso Kamura e Fabiana Gomes ?

Todo mundo sabe que a Alice gosta mesmo de um monte de base e pó. E ninguém questiona a popularidade dela, certo? Toda empresa quer vender para a classe C. Obviamente, as mulheres da classe C não andam com um dermatologista à tiracolo. Ou seja: elas não têm a pele perfeita.  Elas veneram a Alice e suas maquiagens. Do que podemos concluir que o fim do mundo, no final de 2012, poderá chegar antes do fim do uso das bases.

Eu sei que muitos profissionais são lançadores de tendências. E que as tendências começam primeiro em um círculo e depois se espalham. Em geral, de cima para baixo na pirâmide sócio-econômica. Não vou negar a importância desse papel dos artistas e vanguardistas de modo geral.

Mas, curiosamente, vocês devem ter notado que existe uma grande, uma enorme quantidade de pessoas que está se lixando para a estética elitista imposta pelos “alto círculos”. Que a maquiagem natural, a maquiagem “de bonita”, a estética higienista-elegante-sóbria vem sendo completamente deslocada pelo que eu vou chamar de “estética de salão”.

Descrição da maquiagem, por Camila Coelho " O tutorial de hoje é com uma make bem discreta, suave e super “menininha”, especial passa as queridas adolescentes que me acompanham"

Pausa: “estética de salão” é um termo que eu usei para simplificar minha vida e poder resumir a idéia para vocês. Não contém julgamento nenhum,  sequer estético. A maquiagem de salão é aquela que a gente fazia – nos salões logicamente -, ou via alguém fazer, em casamentos e outros eventos. É tão difundida nos salões de beleza (não no Proença, né?), que virou um padrão na minha cabeça. Tem a ver com a pele super feita (às vezes até rebocada mesmo, a mulher quer sair linda na foto, oras), os olhos super maquiados, canto externo bem escuro, contorno marcado, sombras brilhante ou glitter na pálpebra móvel. Algumas até usam postiços. Blush mais para o marcado em tom neutro, boca neutra com gloss, às vezes nem é neutra!. No caso da Alice, vi alguns vídeos e acho que ela se repete demais – há pequenas variações na estética de salão que ela não incorpora, mas tudo bem. Ou seja: a Alice Salazar representa uma enorme parcela da população feminina. E ela dá para esas mulheres o que elas gostam e querem usar. Bem como outras meninas – não faz enorme sucesso a Camila Coelho? Gente, as maquiagens discretas e suaves dela têm até cílios postiços! A estética higienista-elegante-sóbria foi totalmente soterrada nas camadas de maquiagem. E vocês já viram lá o tanto de comentários que tem nos posts dela? Ah, no que depender da Camila, as vendas de base também continuarão muito bem, obrigada.

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A base acabou: maquiadores decretam o fim do produto

Reprodução parcial de matéria do site da Vogue – o original você lê aqui.

Prepare-se para encostar sua base líquida e guardar seu pó no fundo da gaveta. Os backstages de beleza do inverno 2012 decretaram o fim da base. “Não é uma tendência, é um statement”, acredita Fabiana Gomes, maquiadora sênior da MAC. Para ela, a textura natural da pele deve ser ressaltada e não mais ser escondida sob camadas de produto. “A textura mate não tem nada a ver com o nosso clima”, emenda.

Cada vez que esses maquiadores dissociados – porque se alguém me explicar como é que alguém conectado à realidade afirma uma porcaria dessa, eu agradeço – decretam essas coisas, minhas vísceras se contraem, indignadas.

Eles ficam lá maquiando modelos e esquecem da mulher cotidiana, aquela que não tem mais cútis de pêssego. Ou que nunca teve, ou que tem acne, manchas – essas coisas cotidianas, sabem? Eles não sabem. Deve ser coisa de extraterrestre. Eles passam muito tempo lá no outro mundo, maquiando aquelas pessoas cuja única função é enfeitar passarelas e capas de revista e, obviamente por isso, vivem lindas, já que o que paga as contas delas é o fato de elas se manterem lindas.

Também sempre tem um ou outro mais alucinado que decreta que “gloss é brega”, ou que “prata e preto é brega” e disparates semelhantes. É essa mania de querer enfiar uma estética goela abaixo de uma nação inteira que me irrita profundamente. É a mania de decretar que uns têm; é a mania de seguir decretos que outros têm.

Eu sempre digo que prefiro base super transparente, mas essa é a minha preferência. Ajuda o fato de eu não ter muitas manchas nem olheiras. E o fato de eu não dar a menor bola se as minhas manchas aparecem ou as espinhas: eu prefiro a base leve. Nem por isso eu vou decretar que essa é a regra a ser seguida por todo mundo. Nem blogueiro nem maquiador, nem ninguém tem autoridade para determinar como você pinta seu rosto. Virou lei federal? Vai fazer parte da Constituição?

E a coisa piora enquanto a reportagem prossegue:

Celso Kamura é outro partidário do movimento, que já havia sido liderado por Robert Estevão nos desfiles do Fashion Rio. “A base vai deixar de existir. Hoje em dia a mulher cuida da pele, então não precisa esconder muito. A nova base é o dermatologista”, diz o beauty artist*.

A única explicação que me vem à cabeça é essa mesmo, só pode: alienação da realidade. Essas pessoas estão vivendo em uma dimensão paralela, onde não tem lugar para os mortais falhos e imperfeitos.

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O Boticário Soft Blush Pêssego

O Boticário Soft Blush Make B. na cor Pêssego – RR66,90 nas lojas da marca. Embalagem com aplicador e 8gramas de pó.

Para usar esse blush, primeiro a gente precisa se acertar com o aplicador. Pelo menos foi o meu caso, depois de tanto tempo acostumada com pincéis. O aplicador de esponja me fez errar a mão algumas vezes, quando passei em uma área grande demais ou como quando eu apliquei de forma muito intensa.

Superada esta questão inicial – que pode nem ser um problema para outras pessoas – o blush tem a qualidade de outros da marca que eu já provei (com exceção do baked Bronze e sua duração pífia na minha pele). Ele aplica de maneira transparente, mas é possível intensificar a cor com umas camadas a mais, sem que isso altere a textura da pele. O pó é incrivelmente fino, bem pigmentado e com partículas de brilho – o que confere um aspecto corado e luminoso muito bonito. A duração na pele também se assemelha aos outros da linha regular: eu fiquei cerca de 7-8 horas com o blush perceptível, embora no final do período já estivesse um pouco esvanecido. A cor é um pêssego que não tende nada para o rosa, mas para o bronze e cobre, ligeiramente alaranjada.

Outro problema que eu tive – mas eu creio que esse seja basicamente pessoal e ato falho mesmo – foi com a tampa. Mania de desenroscar, o que me fazia remover involuntariamente o aplicador, expondo o pó solto. Umas manchas na roupa depois e meu cérebro conseguiu se haver com a tampa – ela é de puxar. Você deve puxar e não desenroscar.

E vamos ao preço – realmente, quase 70 reais por um blush é bem caro. Devemos considerar que ele tem uma embalagem diferenciada, o que encarece, e vem com 8 gramas (praticamente o dobro da quantidade “padrão”). Mas, ainda é bem pouco acessível. Engraçado como a linha de maquiagem d’O Boticário é bem cara quando comparada à sua linha de produtos, não acham? Parece que miram públicos distintos?

E minha implicância bem pessoal com o aplicador – não dá para limpar. A gente vive lendo (e ou escrevendo) da importância de higienizar pincéis e outras ferramentas de maquiagem, daí nos deparamos com um aplicador impossível de ser lavado? Não gosto, principalmente quando se considera que ele tem 8 gramas e vai durar muito tempo…

Vamos a mais fotos e swatches!

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The Balm Blush Frat Boy

The Balm Shadow/Blush Frat Boy – U$21 no site da marca. Entrega no Brasil – embalagem com 8,5 gramas.

Este blush é um coral-rosado-apessegado lindo, que vai favorecer quase todos os tons de pele do claro até o médio. Nas meninas bem moreninhas, tenho minhas dúvidas que ele vá aparecer, porque a tonalidade dele é clara-média.  O Frat Boy faz jus à excelência que a marca traz em seus outros produtos: é finamente granulado, tem pigmentação e textura extraordinárias e ótima durabilidade. Ele tem acabamento basicamente opaco, sem nenhuma partícula de brilho, não é metalizado, mas mui ligeiramente acetinado. E ainda vem com o dobro, em termos de quantidade, que os outros blushes. A primeira aplicação, se feita de mão leve, vai bem transparente, e dá para construir a cor tranquilamente com outras camadas, sem que haja aquela alteração na textura da pele, sem que fique com aspecto empoeirado. Já falei aqui no blog do Cabana Boy, outro blush que tenho da marca.

A cor dele não é única e super diferente, mas é bem bonita; ele é menos rosado que o Nars Orgasm e o Benefit Coralista e também é opaco, ao passo que os dois anteriores são brilhantes. Frat Boy é praticamente um dupe do Nars Amour, mas com um precinho bem mais camarada e no dobro da quantidade.

Gosto de lembrar que The Balm uma das minhas marcas favoritas para sombras: elas são super macias, pigmentadas, com textura e durabilidade excepcionais. O catálogo de produtos é limitado e até pouco tempo não tinha nada a oferecer em termos de produtos com acabamento opaco. Agora, além de uma paleta de sombras, que mostrarei aqui em breve, tem também este blush.

Além disso, as embalagens de papelão são super compactas, bonitas, bem executadas e resistentes.

Confiram mais fotos!

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Vote!

ENCERRADA – obrigada pela participação! :)

Prometi que faria os swatches de todas as sombras MAC apresentadas no post anterior – e disse que faria um post para cada paleta, conforme a sua cor. Qual vocês acham que deve ser a primeira paleta a ser “swatchada” e postada?

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Minhas sombras MAC

Antes de começar a mostrar as sombras, algumas considerações:

- Vou mostrar aqui minhas paletas MAC. Se você se sente ofendido com esse tipo de post, se você acha que eles são chatos ou sem razão, não continue a ler.

- Eu sei que eu tenho muita maquiagem e muitas sombras. Minha intenção não é ficar me exibindo com essas coisas, até porque eu acho patética a exibição de bens materiais, que alguns fazem com objetivo de se sentirem superiores. Ninguém é melhor que ninguém, nem quem tem mais dinheiro, sombra, inteligência ou o quê for. O que conta nessa vida é o caráter, o resto é acessório.

- Ninguém precisa ter isso tudo, ninguém precisa de sombra de marca para se maquiar bem. Essas são minhas coisas, minha escolha e eu não vou me desculpar ou justificar por elas.

- Posso contar nos dedos de uma mão às vezes em que tive que excluir o comentário – e ainda sobram dedos. Aceito todos, até as críticas. Nesse post, vou manter a mesma política, mas não vou aceitar nenhum comentário com julgamentos pessoais ou negativo de alguma maneira. Críticas construtivas e judiciosas jamais serão vetadas nesse blog.

- A partir daqui, vamos nos ater às sombras – e o post é gigante, já aviso ;)

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